Arquitetura sustentável está presente na nova sede do WWF Brasil

11 de outubro de 2018

Escritório Spirale Arquitetura e Sustentabilidade foi o responsável pela elaboração do projeto, que contemplou o uso da madeira em vários espaços

Uma organização não governamental que atua nas áreas de conservação e recuperação ambiental. Um escritório com foco na arquitetura sustentável. O uso da madeira, como um material de baixo impacto ambiental. Essa foi a combinação aplicada no novo espaço do WWF Brasil, cuja sede fica na Asa Sul, em Brasília (DF). Todo o projeto foi baseado na arquitetura ecoeficiente, com as premissas da redução do desperdício, eficiência energética, gestão de recursos e de resíduos, paisagismo sustentável e sistemas construtivos de baixo impacto ambiental, sem esquecer do design de interiores e mobiliário.

A concepção do projeto foi desenvolvida pelo escritório Spirale Arquitetura e Sustentabilidade, também de Brasília. A empresa já era parceira do WWF em outras iniciativas da organização, como a Casa Cor Sustentável, realizada na capital federal em 2016, e o Espaço WWF, montado em um shopping de Brasília em 2017, com parte da madeira utilizada no projeto arquitetônico da Casa Cor. A organização, inclusive, ganhou prêmio internacional pelo Espaço WWF. No estande, a Spirale participava de eventos que tratavam sobre a construção sustentável.

A partir desta relação, surgiu a oportunidade para a Spirale apresentar o projeto de reforma da sede da organização. “O WWF não tinha uma sede própria até este ano. Eram várias salas alugadas em um prédio comercial. A organização, então, decidiu alugar um prédio existente para transformá-lo em sua sede”, explica a arquiteta Catharina Macedo, sócia-fundadora da Spirale.

Parte da área do escritório na sede do WWF (Foto: Spirale Arquitetura Sustentável)

Todo o trabalho teve como balizes as diretrizes sustentáveis, estimulando a gestão de resíduos e a redução no consumo de energia elétrica, além do aproveitamento máximo dos espaços, por exemplo. Os conceitos permeiam toda a estrutura, que conta com salas de reuniões, áreas para encontros, escritórios com postos fixos e com postos móveis, lounge e auditório, além de uma cozinha com lugares para refeições.

As reformas internas do prédio foram concluídas em agosto deste ano para que a equipe do WWF pudesse começar a trabalhar no novo local. “Utilizamos armários modulares, feitos com OSB, um material de baixo impacto ambiental e acessível, e ‘jogamos’ uma cor para fazer um diferencial. As mesas e os armários foram feitos com um material de boa procedência ecológica”, afirma Catharina.

Espaço para encontros e pequenas reuniões (Foto: Spirale Arquitetura Sustentável)

Internamente, os usuários do prédio podem guardar as suas bicicletas nas proximidades de suas estações de trabalho. “Existe uma questão de segurança, para que elas não fiquem fora do prédio, mas as bicicletas compõem esteticamente o espaço. Elas também são elementos decorativos, além do apelo de sustentabilidade. Há ciclovias na região e isto incentiva as pessoas a irem ao trabalho de bicicleta”, enfatiza a arquiteta.

Bicicletas ficam dentro do prédio do WWF (Foto: Spirale Arquitetura Sustentável)

Uma das medidas previstas no projeto da Spirale para o WWF é a uma intervenção na fachada do prédio feita com madeira. “A fachada original da edificação é composta por vidro, o que não é o melhor, ainda mais para um lugar como Brasília. A ideia era reaproveitar parte da madeira do Espaço WWF, montado em um shopping, para fazer um elemento de sombreamento na fachada. Isto diminui a carga térmica, reduz o uso do ar condicionado e aumenta o conforto”, conta Catharina. Esta intervenção ainda não foi executada, mas isto deve ocorrer em breve, segundo a arquiteta.

Previsão da fachada com a instalação de madeira (Foto: Spirale Arquitetura Sustentável)

Catharina também inseriu no projeto uma instalação diferenciada em uma abertura zenital existente no centro da edificação. Ela traz iluminação natural, mas também leva muito calor para dentro do espaço. “Propusemos a instalação de uma película reflexiva de baixo fator solar, para diminuir a carga térmica sem prejudicar a iluminação”, indica. Além disso, o projeto ainda contempla equipamentos para a gestão da água e placas para a geração de energia fotovoltaica, que serão adotados em fases posteriores do projeto por parte da organização.

Como especialista em arquitetura sustentável, Catharina revela que existe um grande desafio ao elaborar um projeto neste segmento, pois é necessário pensar na relação entre a economia, o ambientalmente correto e o socialmente justo, tudo ao mesmo tempo e sem esquecer do design e da arquitetura.

“Quando um cliente solicita um projeto para reduzir os custos com energia, por exemplo, nem sempre ele pensa em uma solução sustentável. Podemos pensar em uma solução para reduzir custos, mas com sustentabilidade. Os clientes acabam ficando encantados e entendem que a sustentabilidade é um caminho possível”, avalia.

Escritório na sede do WWF (Foto: Spirale Arquitetura Sustentável)

Ela cita como exemplo a proposta de sombreamento colocada no projeto do WWF. “É utilizada a madeira, um material de baixo impacto ambiental, que gera um conforto ambiental e uma redução no consumo de energia, além de ser esteticamente interessante, que leva conceito para a fachada. Vamos além de pensar só na estética. Não vamos deixar de pensar na proposta estética, mas temos as condicionantes da redução dos custos e do menor impacto ambiental. Precisamos aliar isto tudo”, declara.

Por Joyce Carvalho para o Portal Madeira e Construção

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