Avanços na norma de madeira serrada

1 de Fevereiro de 2017

Normalização de produtos de madeira já é realidade na indústria nacional

A madeira serrada, que tem mais de 80% da produção nacional destinada ao mercado interno, sendo a maior parte usada na construção civil, deu um passo importante. A Comissão de Estudos da ABNT (CE-02) retomou as atividades para atualizar a norma técnica. Na primeira reunião, realizada no último dia 31, foi validada a terminologia da norma geral já discutida anteriormente e houve avanços na parte 1 (requisitos) da norma de madeira serrada para construção civil (031:000.002-012), que trata do uso não estrutural, este previsto na NBR 7190.

A Comissão indicou um grupo de trabalho, que irá se reunir em março, para discutir a parte 2 (métodos de ensaio) para o uso na construção civil, além dos projetos de normas de madeira serrada para móveis, transportes e uso geral.

Participaram da reunião representantes de empresas de Santa Catarina e do Paraná, além de entidades como a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR) e Sindicato das Indústrias de Madeira do Médio e Alto Vale do Itajaí (Sindimade).

Para o coordenador da CE, Daniel Berneck, a discussão envolve o que deveria ser o padrão, pensando no cliente e no uso. “Cabe aos participantes contribuírem com suas experiências para evolução do texto, pois cada vez mais seremos cobrados por desempenho. Avançamos muito neste encontro com um grupo bem representado”, afirmou o coordenador.

Na avaliação do secretário executivo do Sindimade, Ricardo Pinheiro, foi dado um grande passo. “É um estudo muito importante para o setor, que vem perdendo espaço para produtos substitutos. Tudo o que é padronizado torna-se mais seguro”, disse. O sindicato representa 45 empresas da região do Vale do Itajaí, entre indústrias de madeira serrada, portas, compensado, molduras e móveis.

Normalização
O trabalho de normalização de produtos já é uma realidade na indústria da madeira. Com a publicação da norma de desempenho da construção civil em 2013, a NBR 15.575, há a necessidade de que todo produto ou componente construtivo seja normalizado. “Garantir a conformidade aos produtos contribuirá para o aumento do uso da madeira no mercado nacional e a possibilidade de inserir os produtos madeireiros no escopo de financiamento junto a órgãos oficiais”, afirma o superintendente executivo da Abimci, Paulo Pupo.

Exemplo de avanço nesse sentido está no segmento de portas. A Comissão de Estudos, que trata da norma NBR
15930 – portas de madeira para edificações -, intensificou seu trabalho para revisão da parte 2 sobre requisitos no ano passado. O trabalho foi retomado pela Comissão de Estudos no âmbito do Comitê Brasileiro da Madeira (CB-31) da ABNT com o intuito de fazer as adequações à norma de desempenho da construção civil.

Atentos à tendência de mais exigências dos compradores por mais qualidade e padronização – principalmente por parte das construtoras – os fabricantes de portas de madeira se organizaram para colocar no mercado não apenas produtos conformes à NBR, mas também certificados e reconhecidos pelo Inmetro.

Com abrangência nacional, a Abimci, que além de ser a entidade gestora do CB-31, desenvolve, por meio do seu marca-psqpme-imagemComitê de Portas, o Programa Setorial da Qualidade de Portas de Madeira para Edificações (PSQ-PME). A certificação é voluntária, mas tem se tornado, cada vez mais, um pré-requisito comercial, segundo as próprias empresas. Desde 2014, é possível encontrar no mercado portas com a certificação da ABNT. Até janeiro, 17 empresas possuíam algum produto certificado.

Segundo os produtores, o segmento de portas de madeira evoluiu de forma importante na última década focado no desempenho e na qualidade. As empresas já percebem uma preferência dos clientes por produtos certificados, pois as construtoras – principal foco das participantes do Programa – precisam atender às exigências da norma de desempenho da construção. O perfil do produto por desempenho leva em conta fatores como a localização do uso (interno, externo, resistência à umidade).

E o resultado tem sido animador para os empresários. De acordo com o gerente Industrial da Adami/Vert, Daniel Pscheidt, é possível perceber mudanças no comportamento dos clientes na especificação das portas. “As grandes construtoras já estão colocando como pré-requisito a certificação”, garante.

Atualmente, os produtos que buscam a certificação passam por nove ensaios. Com a revisão da norma, devem ser incluídos outros dois. O trabalho de revisão da norma vai permitir um avanço na especificação das portas por desempenho, já que devem ser incluídos requisitos que contemplam, por exemplo, esforços mecânicos e ciclos de abertura e fechamento.

Outro aspecto apontado como uma evolução desde a publicação das normas e participação das empresas no programa é que as indústrias passaram a ter um controle maior dos processos produtivos.

Para a empresa Manoel Marchetti, fabricante das Portas Álamo, por meio de um programa estruturado foi possível reduzir os custos na linha de produção em 4,2% em 2016. “Investimos em novos equipamentos e passamos a ter menos desperdícios”, afirmou o vice-presidente da empresa Fábio Ayres Marchetti. Apesar da indústria não ter conseguido concluir os investimentos previstos em inovação, a empresa deu um passo importante com o lançamento de novas linhas – passando a atender obras para as classes C e D – garantindo uma gama maior de opções aos clientes. Além disso, a intenção é concluir a etapa de mudanças e melhoramentos da linha de produção até junho de 2017. “Com isso, teremos um aumento da competitividade do produto, já que será possível garantir mais qualidade no acabamento das portas”, informou Marchetti.

Paralelo à revisão da parte 2, a Comissão de Estudos trabalhará na continuação da elaboração dos textos-bases das partes que dizem respeito aos requisitos de desempenho adicionais como isolamentos acústico, térmico e às radiações, resistência ao fogo, segurança anti-intrusão, acessibilidade e saída de emergência; e à instalação e manutenção.

 Por Juliane Ferreira para o Portal Madeira e Construção

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