5 motivos para participar de eventos como o Smart City. E o que aprendemos lá!

6 de Março de 2018

Curitiba sediou na semana passada o maior evento sobre inovação e cidades inteligentes do mundo, o Smart City Expo Curitiba, estivemos lá e queremos compartilhar alguns pontos com vocês.

Inovação e tendência andam juntas. Quando uma tendência começa a mostrar seus sinais, a inovação ganha espaço. Ao falarmos em cidades inteligentes, pensamos logo em mudanças astronômicas e discutimos isso durante os dois dias de Smart City, mas a primeira coisa que queremos compartilhar é:

1. Pequenas atitudes podem melhorar sua cidade hoje e assim você se prepara para um futuro melhor!

Sim, parece que nada disso tem a ver com construções ou madeira… mas tem! O jornalista André Trigueiro falou sobre o quanto o Brasil precisa evoluir para começar a pensar “cidades inteligentes” (tem uma matéria aqui sobre a palestra 😉). Uma das coisas que queremos destacar é: como sua cidade trata o lixo?

Como a sua construtora trata os resíduos de obra? Como você, arquiteto, pensa em uma obra com menos resíduos? Como você, cidadão, trata o seu lixo? Você recicla? Você separa? Dá uma destinação correta ou um novo uso? Você repensa sua rotina para produzir menos resíduos?

Pois é, precisamos falar de lixo se queremos ver essas ‘cidades do futuro e inovadoras’ pipocando por aqui e aí.

“Não é possível falar de smart city sem encarar a dura realidade. Nenhum país do mundo, que se diga desenvolvido, chegou lá sem cuidar de seus resíduos e de seus excrementos de forma adequada”, André Trigueiro.

2. O futuro é sustentável!

Ok, sustentabilidade é uma das tendências mais discutidas na atualidade. Por isso, o conceito de sustentabilidade vai da mobilidade até a construção. Mais que um modo de vida, é uma necessidade. O planeta não vai suportar se a gente seguir produzindo 1,5 bilhão de toneladas de resíduos por ano.

Sim, a construção precisa pensar e repensar, aprender e ensinar a melhor forma desse futuro acontecer. Por isso, precisamos falar sobre madeira e incluir as crianças e jovens nessa discussão. O que efetivamente fazemos para que as universidades e faculdades ensinem sobre construção com Madeira? No Brasil, as discussões começaram a evoluir recentemente e as pesquisas são quase todas importadas de países como Canadá, EUA e os europeus. É necessário apoiar e financiar essas pesquisas.

3. A indústria automobilística tem algo para ensinar!

Não vamos criar todas as soluções, algumas podemos copiar ou nos inspirar. Não por acaso o evento aconteceu no espaço Expo Renault. A Renault estava lá com seus carros 100% elétricos e com ‘mini’ carros para uma pessoa (na verdade duas, mas a segunda não muito confortável). O tamanho das famílias está mudando, mais casais estão optando por não ter filhos, ou por ter um filho e as pessoas andam cada vez mais sozinhas em seus carros. Não estamos dizendo que amanhã os carrões vão desaparecer, mas a tendência está aí e aponta que as ruas precisam de mais espaços. O que o mercado da construção pode aprender com isso? Famílias menores, mais pessoas morando sozinhas, precisamos repensar os espaços já existentes.

Discutimos muito a mobilidade nesses eventos, mas ainda vemos poucas discussões de moradias e outras construções. Empresas como Uber, 99 e Renault estavam presentes em peso no evento, para mostrar suas possibilidades de futuro. Precisamos discutir mais sobre CONSTRUÇÃO E MADEIRA nesses espaços.

4. O crescimento do home office, mudanças no jeito de trabalhar.

Carlo Ratti, arquiteto e diretor do Senseable City Lab do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), lembrou que, pelos padrões do arquiteto suíço Le Corbusier, o planejamento urbano segmentava os ambientes com funções distintas para o trabalho, o lazer e a moradia. Agora, na era digital, há a mistura dessas funções em ambientes comuns. E isso deve ser ampliado para o conceito da cidade.

Com o crescimento do home office, empresas menores, funcionários espalhados pelo mundo. O que faremos com os prédios comerciais no futuro? Vamos nos preparar agora? Como vamos evitar ou reduzir resíduos com as construções que ficarão obsoletas? Como aproveitaremos espaços?

Os hotéis estão preparados para receber cada vez mais nômades digitais? Eles têm estrutura adequada para quem viaja o mundo e trabalha?

Sim, nosso desejo é lançar dúvidas e perguntas e trazer dessas inquietações inovações para o futuro da construção. E um futuro com madeira!

5. Cidades pensadas para pessoas!

André Trigueiro falou sobre o quanto o Brasil está distante do conceito, com municípios pobres e devedores, políticos analfabetos funcionais e toda uma aura que colabora para o atraso. E o arquiteto argentino Juan Pablo Negro, defendeu a sustentabilidade social.

“Um dos projetos já em andamento é o de reurbanização de uma área onde vivem aproximadamente 40 mil moradores, a Villa 20, que passará a se chamar Bairro Papa Francisco. Os diferenciais da proposta são a gestão participativa com a população, a criação de uma identidade cultural, por meio do envolvimento das crianças, o fomento a espaços de inclusão e ações que garantam a sustentabilidade econômica das famílias. Temos a aspiração de tornar Buenos Aires uma smart city, com a inclusão de todos os cidadãos e, dessa forma, assegurar a sustentabilidade dos processos de urbanização”, afirmou Negro.

Conhecemos nosso cenário social, político e urbano e talvez seja a hora da indústria puxar sim uma grande revolução. Envolver a sociedade, incentivar escolas, pais, pessoas a repensar o futuro. Mais do que incentivar, precisamos informar e ensinar. Quem fizer isso hoje pode estar garantindo o futuro, o seu e o da sua marca.

O Smart City é um lugar onde as ideias estão por todos os lados, mas não é um evento para a massa. Nenhum evento de inovação é para as massas, então precisamos disseminar a informação. É isso o que o Portal Madeira e Construção almeja, além de envolver a indústria e oferecer conteúdo para a sociedade. Temos muito o quê fazer e aprendemos no Smart City que sim, estamos no caminho certo.

Por Elineia Denis Ávila, consultora de Marketing do Portal Madeira e Construção, analista de Tendências, especialista em Tecnologias e Gestão de Marketing, diretora da Sinapse Lab.

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