Brasil precisa aumentar uso per capita de madeira

31 de Março de 2016

Empresas investem em normalização e certificação de produtos para conquistar mercado interno

Com um déficit habitacional de 5,8 milhões, segundo dados do IBGE, o Brasil pode encontrar na floresta a saída para resolver boa parte dessa deficiência e, com isso, aumentar o consumo per capita de madeira no país. E as empresas estão atentas a isso: discutindo normas técnicas, normalizando seus produtos e buscando certificação de qualidade e de processo.

Na avaliação do superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci, Paulo Pupo, há potencial de crescimento do consumo no mercado interno para os principais produtos madeireiros. No entanto, é preciso que fabricantes e produtores entendam que a normalização de produtos é um caminho sem volta. “Quando normalizamos, padronizamos as informações e efetivamente organizamos o mercado”, afirma Pupo.

Entidade gestora do CB-31 – Comitê Brasileiro que trata das normas sobre madeira dentro da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) -, a Abimci tem dedicado parte de seu trabalho à revisão, estudo, desenvolvimento e divulgação das normas técnicas para os produtos de madeira processados mecanicamente. Portas, pisos e compensados, por exemplo, já contam com normas específicas. Os próximos passos a partir de agora passam pela atualização e unificação das informações já existentes para a norma de madeira serrada, conteúdo esse que servirá de base para a estruturação da norma geral do sistema construtivo wood frame. “Somente após esse trabalho será possível inserir esse sistema construtivo nas esferas oficiais e assim obter financiamentos em larga escala para produzir um volume significativo de casas em madeira”, revela.

Certificação

Enquanto a padronização de produtos madeireiros, através do desenvolvimento de normas técnicas, vem se intensificando no Brasil, a certificação ainda é vista por alguns empresários como algo dispensável. No entanto, o mercado já dá sinais de que vender produtos com um selo de qualidade pode ser uma excelente estratégia para o negócio. “São cada vez mais frequentes as barreiras comerciais, por exemplo, que exigem uma certificação”, afirma Pupo.

Atenta a essa realidade, há quase 15 anos, a Abimci conta com o Programa Nacional de Qualidade da Madeira (PNQM), que permite à indústria obter a certificação dos produtos e um controle do processo produtivo que provoca uma mudança cultural e organizacional, que passa, por exemplo, por ajustes de layout do chão de fábrica, controle de processo, diminuição de perdas, entre outros ganhos produtivos. Indústrias de compensados, compensados plastificados, madeira serrada, portas e fornecedores da área química são o público-alvo dessa certificação.  Além disso, por meio do PNQM, as indústrias exportadoras de compensados podem obter a marca de conformidade CE Marking exigida em todos os países da União Europeia para diversos grupos de produtos.

No mercado interno, o segmento de portas de madeira  já conquistou um avanço significativo no processo de certificação por meio do Programa Setorial da Qualidade de Portas de Madeira para Edificações (PSQ-PME), desenvolvido pela Abimci. O programa tem a participação de 21 empresas, das quais 16 já conquistaram a certificação da ABNT para algum de seus produtos de acordo com a Norma Brasileira 15:930 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Os produtos certificados passaram por controle de qualidade de produção, que incluiu gestão da qualidade e testes físicos e mecânicos de avaliação do desempenho.

A expectativa agora é para a publicação do contrato e garantias padrão que serão adotados pelas empresas participantes do PSQ-PME. O documento que irá padronizar as informações entre os fabricantes de portas vai trazer ainda mais segurança ao mercado.

Por Juliane Ferreira com informações da Assessoria de Imprensa da Abimci

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