Carlo Ratti: respeito às condições locais faz diferença na construção de uma cidade sensível

1 de Março de 2018

Arquiteto italiano proferiu a palestra de abertura do Smart City Expo Curitiba, nesta quarta-feira (28)

“Podemos combinar a parte física à digital. É o que chamam de Cidades Inteligentes, mas preferimos considerar como Cidade Sensível”. A afirmação é do o arquiteto e diretor do Senseable City Lab do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), Carlo Ratti. Ele proferiu a palestra de abertura do Smart City Expo Curitiba, nesta quarta-feira (28), e era uma das atrações mais esperadas do evento.

O Smart City Expo está sendo promovido pela primeira vez no Brasil. É considerada a principal iniciativa mundial para debater as chamadas cidades inteligentes e reúne cerca de cinco mil pessoas, entre representantes do meio acadêmico, de empresas, administração pública, incubadoras e investidores.

Ratti afirmou que, antes de se partir para a prática, é preciso renovar o olhar para os ambientes urbanos e as relações das cidades com seus habitantes. O arquiteto considera que a construção do que ele chama de cidade sensível deve ter como princípio o respeito às condições locais.

“Importante é discutir qual cidade queremos amanhã. Curitiba é uma cidade inovadora em mobilidade. Então é interessante olhar como serão as mudanças no processo de mobilidade e usar a tecnologia para isso”, declarou.

O especialista ainda salientou que, para efetivamente tirar o projeto de cidade inteligente do papel, informação é tudo. O chamado Big Data é a base para promover mudanças. “É a forma de utilização do volume de dados disponíveis, sejam eles estruturados ou não, que vai dar a direção do processo de planejamento”, ressaltou. “Com essas informações podemos ter um desenho melhor, podemos mensurar muitas coisas, identificar padrões, comunidades e a interação digital”, enfatizou Ratti.

Entre os temas apresentados na palestra do arquiteto estava a do uso compartilhado de táxis ou carros compartilhados para um mesmo destino. Este exemplo citado por ele reduziria o volume de veículos em 40% em Nova York e em 50% em São Francisco. “A cidade pode funcionar com menor necessidade de infraestrutura para carros se você compartilhar a mobilidade. Nessa área novas tecnologias vão permitir que surjam diferentes oportunidades”, indicou.

Ratti ainda lembrou que, pelos padrões do arquiteto suíço Le Corbusier, o planejamento urbano segmentava os ambientes com funções distintas para o trabalho, o lazer e a moradia. Agora, na era digital, há a mistura dessas funções em ambientes comuns. E isto deve ser ampliado para o conceito da cidade.

Evento

O Smart City Expo Curitiba termina nesta quinta-feira (01) e tem a chancela da FIRA Barcelona Internacional – consórcio público formado pela Prefeitura de Barcelona, Governo da Catalunha e Câmara de Comércio de Barcelona. O evento tem organização do iCities e apoio estratégico do World Trade Center Business Club, além da participação oficial da Prefeitura de Curitiba como anfitriã e do Vale do Pinhão, ecossistema de inovação da cidade.

 

Por Portal Madeira e Construção
Foto divulgação

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