Casa de Paus é destaque no Desafio Casa AQUA

14 de dezembro de 2017

Projeto dos arquitetos Isaac Amir e Marina Castanheira propôs uso de sistema construtivo sustentável  

Com toda estrutura de madeira em pórticos sustentando o piso e a cobertura, a Casa de Paus parece flutuar sobre o solo devido às conexões metálicas que ligam os pilares de madeira às fundações de concreto. O projeto criado pelos arquitetos Isaac Amir e Marina Castanheira, que atuam em Ribeirão Preto (SP) e Rio de Janeiro (RJ), recebeu menção honrosa no Desafio Casa AQUA 2017 e foi destaque em sistemas construtivos sustentáveis. O concurso, promovido pela Inovatech e Cipasa Urbanismo, visa estimular boas práticas sustentáveis em residências. O objetivo deste ano foi disseminar esse olhar para os futuros moradores do Residencial Itahyê, localizado em Santana de Parnaíba (SP), como uso racional dos recursos naturais, saúde, conforto, eficiência e economia.

“Dotado de apenas um piso e uma cobertura, criamos um eixo único que se fraciona entre íntimo e coletivo. As ações coletivas são abertas, convidativas e se abrem pela permeabilidade dos panos de vidraças que interagem com as áreas externas. Já as áreas individuais são limitadas de acordo com o grau de intimidade das atividades, colocando em escala de transparência (vidraças e policarbonato), translúcida (cortinas) e totalmente opaca (parede em bloco de concreto expandido)”, explica Amir.

As áreas molhadas como banho, lavabo e cozinha estão isoladas e sustentam a hierarquia hidráulica. Os volumes das áreas molhadas ultrapassam o limite da cobertura e se conectam com reservatórios de água potável para o banho e cozinha e as pluviais que alimentam jardins e descargas. O banheiro e lavabo recebem generosas aberturas zenitais (aberturas no teto) fazendo com que o ar renovado seja constante e o sol permeie os ambientes.

Já a varanda é integrada ao interior da casa. Quando abertas as portas da Casa de Paus, a varanda se estende e cria um ambiente único, envolvida por uma estrutura de madeira e protegida por grandes beirais. “A cobertura é um sistema de telhas termo acústicas com várias quedas e calhas tipo canaletas que furtam rapidamente as águas da chuva e coletam para o reservatório que se localiza próximo a casa das máquinas da piscina”, conta o arquiteto.

A madeira também aparece no gradil alto que protege a residência nas fachadas oeste e norte, compondo um jardim vertical absorvendo a radiação solar, aumentando a umidade dos ambientes internos e proporcionando mais privacidade.

“O resultado desse concurso contribui para que os futuros moradores do Itahyê se inspirem a construir casas com diretrizes de sustentabilidade. Também é uma oportunidade para que os arquitetos apresentem seus projetos para os clientes Cipasa”, completa.

Desafio

O Desafio Casa AQUA foi criado em 2015, como uma iniciativa da Casa AQUA para atender uma necessidade da sociedade em estabelecer conexões entre os diversos atores da construção civil quando o assunto é sustentabilidade. Para isso, foi criada uma plataforma para que os empreendedores e a indústria possam se conectar aos clientes e aos especificadores por meio de concursos temáticos, em que são lançados desafios específicos de projeto para profissionais e estudantes, sempre com um tema atrelado ao negócio de um dos apoiadores.

O júri deste ano foi formado por Gilles Alvarenga (Diretor de Operações Internacionais da ZED Factory), Rodrigo Mindlin Loeb (Titular do escritório Mindlin Loeb Arquitetura), Joana Baracui (Editora da Revista Arquitetura e Construção) e Miriam Addor (Presidente da AsBEA- Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura).

Por Juliane Ferreira para o Portal Madeira e Construção
Fotos: divulgação

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