Coberturas com Madeira Laminada Colada ganham espaço

29 de Março de 2016

No Brasil, MLC está sendo aplicada em projetos de cobertura de madeira de grande porte ou que exigem uma maior “flexibilidade” em sua arquitetura

Uma das principais aplicações de madeira em obras acontece nas coberturas. No Brasil, tradicionalmente, as madeiras tropicais são utilizadas para esta função. No entanto, além da diminuição da oferta de madeira de espécies nativas, nem sempre a matéria-prima que chega até uma obra tem procedência legal. Percebe-se uma mudança no mercado para inibir o uso de madeira sem certificação em obras. Exemplo disso são as exigências do governo federal e da Caixa Econômica Federal para garantir madeiras com origem conhecida em obras relacionadas ao poder público ou passíveis de financiamento.

Com este cenário e a existência de um material mais tecnológico, cada vez mais as construtoras estão utilizando a Madeira Laminada Colada (MLC) em projetos de cobertura. “Esta é uma tecnologia bastante empregada em diferentes regiões do mundo, sendo aplicada em diferentes tipos de cobertura, tanto em pequenos quanto em grandes projetos”, salienta Guilherme Corrêa Stamato, diretor executivo da Stamade Projeto e Consultoria em Madeira, de São Carlos (São Paulo) e colunista do Portal Madeira e Construção. De acordo com ele, a MLC já é empregada no Brasil, mas ainda em uma escala reduzida diante da quantidade de projetos e obras em andamento no país.

A MLC, no Brasil, já está sendo aplicada em projetos de cobertura de madeira de grande porte ou que exigem uma maior “flexibilidade” em sua arquitetura. “Atualmente trabalhamos com MLC, que permite a fabricação de vigas retas, de seção variável, curvas, em “s” com até 21 metros de comprimento. Esta técnica possibilita grande liberdade formal nos projetos com custos relativamente baixos”, afirma Hélio Olga, da Ita Construtora, com sede em Vargem Grande Paulista (São Paulo).

Haras Polana - Projeto da Ira Construtora

Haras Polana – Projeto da Ita Construtora

A expansão do uso da MLC deve evoluir no país em um futuro próximo, avalia Stamato. “A Madeira Laminada Colada está apresentando um crescimento no mercado, mesmo com a queda nos níveis da construção civil, até porque no nicho de alto padrão existe uma característica diferenciada. Mas percebemos uma evolução bem significativa da MLC no mercado brasileiro desde os anos 2000”, revela.

Método industrializado

Outro conceito tecnológico que vem sendo aplicado cada vez mais em grande escala é o telhado com madeiras com treliças com Chapas de Dentes Estampados (CDE). “Estes são telhados pré-fabricados por empresas especializadas para projetos específicos. Existe um mercado grande que está absorvendo esta tecnologia, como obras em condomínios horizontais”, comenta Stamato.

Método tradicional

Os telhados da maior parte das casas brasileiras ainda são construídos com madeiras tropicais, por sua tradição e boas propriedades naturais, como a durabilidade. Pensar em simplesmente trocar este tipo de madeira pelas de florestas plantadas não é o melhor caminho, segundo Stamato.

Antes de mais nada, as madeiras de reflorestamento são colhidas muito jovens, não gerando propriedades mecânicas para esta função. Apenas os exemplares mais maduros poderiam ser usados para esta função. O eucalipto, por exemplo, deveria ser colhido apenas com 30 a 40 anos para atender às necessidades. Além disso, as madeiras de florestas plantadas devem passar por tratamentos específicos, para uma maior garantia.

Por Joyce Carvalho para o Portal Madeira e Construção

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