Com nova fábrica, Araupel projeta dobrar a produção

10 de Março de 2016

Empresa aposta na sinergia entre a fábrica de Quedas de Iguaçu e recente unidade lançada


Com foco na exportação, a Araupel, empresa com capital 100% brasileiro, vem investindo forte para expandir o mercado. Prova disso é a recente inauguração de uma nova unidade da cidade de Guarapuava. O investimento nos últimos dois anos para a construção da fábrica girou em torno de R$ 150 milhões e a expectativa da marca é dobrar a produção. Hoje, a unidade já existente, em Quedas do Iguaçu (PR), produz entre 140 e 150 containers por mês. Com a nova operação, que começou em fevereiro, a meta é atingir a capacidade produtiva de 350 containers por mês em um ano.

De acordo com Adriane Balan Villela, coordenadora de suprimentos florestais da Araupel, a empresa está numa fase de crescimento e expansão. Ela conta que a fábrica recém inaugurada é a mais moderna da América Latina. Antes de começar a construir, a indústria encomendou um estudo complexo para avaliar as opções. Segundo a coordenadora, Guarapuava foi escolhida por ter unido todas as características mais importantes para a empresa: suprimento florestal, sinergia com a fábrica de Quedas do Iguaçu e mercado para os subprodutos. “Queremos aproveitar o início das operações na fábrica para alavancar a produção, consolidar a marca e mostrar para as pessoas como estamos realizando o nosso trabalho”, declara.

Lançamento no mercado
Aproveitando a Semana Internacional da Madeira e a participação na 2ª Expo Madeira & Construção, a Araupel lançou no mercado um novo produto: os pellets, que foi batizado de “Araupellets”. Trata-se de um combustível da classe das biomassas que vem como uma alternativa para substituir os combustíveis fósseis, como o gás, o GLT e o óleo diesel. O produto pode ser utilizado por empresas de pequeno e médio porte como uma alternativa para redução de custos nos processos produtivos.

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Rodrigo Costa, supervisor comercial da Araupel

Rodrigo Costa, supervisor comercial da Araupel, conta que a produção iniciou em 2015 depois de diversos testes. A ideia de desenvolver o produto partiu de uma demanda das indústrias, que estavam procurando alternativas para diminuir os custos com energia elétrica. “No mercado europeu e americano o pellet já é utilizado há mais de 20 anos. Passamos dois anos estudando o produto e tivemos uma equipe técnica trabalhando no desenvolvimento. Agora, ele está sendo lançando para o mercado brasileiro”, explica.

Segundo o supervisor, o pellet está sendo comercializado e vem superando as expectativas da empresa com relação ao preço. Por isso, ele diz que a demanda tende a aumentar, já que o Brasil tem grande potencial para esse produto.

 “Com o recente aumento da energia elétrica e dos combustíveis fósseis, esse é o momento ideal para as empresas conseguirem reduzir seus custos produtivos. Para estabelecer uma comparação, um quilo de óleo tem em torno de nove mil quilocals e um quilo de pellet tem quatro mil e quinhentos quilocals. Ou seja, são necessários dois quilos de pellets para ter a mesma quantidade de energia que um quilo de óleo. Mas, dois quilos de pellet custam R$ 1,00, enquanto que um quilo de óleo vai custar aproximadamente R$ 3,30. Dessa forma, o pellet chega a ser 60% mais econômico que o combustível fóssil”, detalha.

Costa comenta que algumas empresas gastam em torno de R$ 130 mil com gás. Se mudarem a matriz energética para pellet, gastarão aproximadamente R$ 60 mil, atingindo uma economia de R$ 70 mil por mês. Um queimador de pellet custa cerca de R$ 150 mil. “Em dois meses a empresa paga o investimento e a partir do terceiro mês começa a ter uma economia significativa”, reforça.

Além da redução de custos, o pellet é um produto ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável, seguindo o tripé de sustentabilidade proposto pela Araupel. Como qualquer combustível, ele gera resíduo, que é a cinza, mas o teor de cinzas do pellet fica abaixo de 1%, de acordo com o supervisor comercial da Araupel. Ele diz que a empresa só terá a preocupação de fazer a destinação do resíduo, mas isso não vai encarecer o processo. “Uma indústria de cosmético vai consumir em torno de 50 toneladas de pellets por mês, o que vai gerar somente quatro quilos por mês de cinza”, exemplifica.

Participação e produtos
No mercado de exportação, a Araupel já está bem consolidada e a segunda maior exportadora de molduras do Brasil. Além disso, a empresa é a sexta maior produtora de molduras finger joint do mundo. Hoje, quase 80% do que é produzido é exportado, e os principais mercados são o norte-americano, o canadense e o europeu. O principal produto são as molduras que vão prontas para serem instaladas, só esperando o acabamento final.

No mercado brasileiro, a Araupel atua com venda de toras, madeira serrada bruta e caixarias para construção civil, estrutura de telhado e casas, marco de porta, batentes e guarnição para acabamento e decoração para construtoras e lojas de atacado e varejo para o mercado da construção civil. O processo produtivo começa na muda e vai até o produto final. Com a sobre das molduras, a Araupel comercializa também subprodutos, como pellets, maravalhas, serragem, cavaco, entre outros.

A perspectiva para os próximos anos é aumentar a produção de molduras para o mercado externo e a produção de pellets para o mercado interno. “Nosso objetivo é aumentar o 0share no mercado de molduras e entrar fortemente no mercado de pellets para o mercado nacional. O mercado brasileiro ainda precisa ser trabalhado e desenvolvido e a empresa acredita no potencial para esse produto. Depois, nossa ideia é produzir também para exportação”, completa.

Maureen Bertol para o Portal Madeira e Construção

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