Como aproveitar melhor o potencial da madeira de forma estrutural?

6 de junho de 2016

Quando uma pessoa se interessa pelo uso da madeira como elemento estrutural de uma edificação, muitas vezes vêm à tona dúvidas como durabilidade, dimensões, manutenção etc. Muitas vezes baseadas no senso comum dos brasileiros que é pautado pela experiência no mau uso da madeira, sem técnica e sem o mínimo de conhecimento. Poucas pessoas com quem converso, inclusive engenheiros e arquitetos, têm a noção básica de que a madeira tem resistência média à compressão superior ao concreto e que também é altamente resistente à tração. Muitos também não entendem que o comportamento da madeira na direção longitudinal às fibras é diferente ao comportamento na direção perpendicular às fibras. Se aprofundarmos em detalhes de proteção da madeira contra intempéries, os conceitos são ainda menos conhecidos. Para tirar então o melhor das características da madeira é necessário aplicar os conhecimentos e técnicas já conhecidos.

Um primeiro ponto importante para melhorar aproveitar a madeira é conceber o projeto arquitetônico já focado no uso que se pretende desse material. E isso não se resume a especificar que haverá madeira, mas sim definir qual o conceito que se pretende aplicar ao projeto, se será madeira laminada colada, madeira de floresta plantada ou nativa, se será construído “in loco” ou será industrializado, se será aparente ou não, e assim por diante. A madeira é muito versátil e pode ser aplicada de muitas formas, mas será mais eficiente se quem desenvolve o projeto tiver em seu repertório as possibilidades que a madeira possibilita.

Outro ponto importantíssimo para o melhor aproveitamento da madeira é o dimensionamento adequado segundo as normas vigentes. A madeira não tem regras prontas de relação altura x vão, cada projeto tem suas características e as condições de apoio e materiais de cobertura e forro, bem como as propriedades mecânicas da madeira podem variar bastante de obra para obra. Estabelecer alguns índices é possível, mas de forma muito limitada. Assim, o recomendável e que cada projeto tenha seu cálculo e projeto estrutural.

Em conjunto, os projetos arquitetônicos e estruturais devem definir detalhes que protejam a madeira do acúmulo de umidade, especifiquem acabamentos que preservem a madeira e, dependendo da situação, peças de sacrifício que facilitem a manutenção. Projetos estruturais e arquitetônicos bem elaborados proporcionam vida útil muito maior e manutenção bem menos frequente e menos onerosa.

Origem da madeira

Para a execução da obra é muito importante que se tenha um bom fornecedor de madeira, para que essa chegue na bitola correta, com baixa umidade e sem defeitos de secagem. Geralmente, os bons fornecedores não são os de menor preço, mas aqueles que se propõem a pagar um pouco mais caro por madeira de melhor qualidade logo percebem as vantagens do material selecionado, que vai diminuir o retrabalho e a seleção de peças e a compra de peças extras para compensar as defeituosas. Convenhamos, seria injusto não remunerar o fornecedor por ter todo o trabalho que os concorrentes não tiveram. No final, todos saem ganhando com um trabalho bem feito.

Mão de obra

Um último ponto é a mão de obra. Infelizmente não temos no Brasil uma formação de carpinteiros profissionais, que entendam a madeira e aprendam a lidar com novas tecnologias. Sempre é feito da mesma forma, com a mesma “receita”, mesmo utilizando madeiras de menor resistência e seções menores que os fornecedores insistem em entregar. Mas ainda existem bons profissionais, que aprenderam o ofício e se preocupam em fazer certo e melhorar. Se a intenção é fazer uma estrutura segura e bem feita, deve-se executá-la com uma boa equipe de carpinteiros.

Tudo isso mencionado parece óbvio, e caberia para todos os sistemas construtivos, mas estamos aqui falando da madeira, que está retomando seu espaço no mercado da construção civil após muitas décadas esquecida graças a empresas que puseram em prática conceitos simples como a elaboração de um bom projeto, seleção de boa matéria-prima, seja a madeira serrada ou a madeira laminada colada, ou outros derivados da madeira, e executaram com equipes treinadas de carpinteiros que estavam alinhados com as tecnologias utilizadas. Ou seja, passaram a tratar a madeira com olhar profissional, como é feito também com estruturas de concreto e aço bem sucedidas.

 

 

Por Guilherme Stamato para o Portal Madeira e Construção
Para entrar em contato com o colunista: stamade@terra.com.br

 

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