Paricá: leveza, homogeneidade e alto nível técnico

2 de Maio de 2016

Madeira de espécie nativa é proveniente de floresta plantada na região Norte do Brasil e tem grande apelo sustentável

Sabe aquela máxima que diz que a “união faz a força”?! Esse foi o modelo adotado por fabricantes de compensado de Paricá da região Norte do país no fim do ano passado. Vislumbrando um mercado promissor, com possibilidade de apostarem também em exportação, os empresários resolveram se unir, com o apoio da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), e criaram o Catálogo Promocional do Compensado de Paricá, que tem por objetivo padronizar e definir categorias, levar informação ao consumidor, pré-qualificar o produto, agregar valor às marcas, orientar quanto ao uso e aplicações e reforçar o espírito associativo. Essa foi uma forma encontrada pelos fabricantes de renovar a estratégia comercial dos produtores da região Norte, que se reinventaram ao apostar na floresta plantada de uma espécie tropical.

O compensado de Paricá é um produto sustentável da Amazônia, que traz diferenciais competitivos, como homogeneidade e alto nível técnico. Por ser uma espécie tropical proveniente de floresta plantada, a madeira tem forte apelo ambiental. Além disso, a árvore tem ciclo rápido e pode ser processada com idade entre cinco e sete anos, oferecendo, dessa forma, vantagens como leveza e maleabilidade. O metro cúbico do compensado de Paricá pesa, em média, 450 quilos. Para se ter uma ideia, outras espécies nativas chegam a ultrapassar 700 quilos. Ou seja, por ser mais leve, o compensado de Paricá tem um impacto positivo no custo do frete, por exemplo, sem perda de qualidade, garantem os produtores. Além disso, o produto é bom para o mercado moveleiro, que precisa de um produto mais leve que outros painéis.

Hoje, as florestas plantadas com Paricá ocupam aproximadamente 90 mil hectares, distribuídos entre os Estados do Pará, Maranhão e Tocantins. A principal região de plantio e de produção de compensados de Paricá do Brasil se concentra no Pará e Maranhão, sendo os principais municípios produtores Paragominas, Dom Eliseu, Ulianópolis, Rondon do Pará e Abel Figueiredo. Já no Sul do País, as empresas que recebem lâminas de Paricá e também produzem compensados ficam, principalmente, nas regiões paranaenses de Imbituva, União da Vitória, Bituruna, entre outras.

Com relação à produção, Ernesto Carlos Ganassoli, presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Município de Rondon do Pará (Simarp), diz que, atualmente, 95% – aproximadamente 16 mil metros cúbicos/mês – destinam-se ao mercado interno, em especial para as regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte para o Sudeste. Na avaliação dele, o setor está vivendo uma nova fase a partir de um cenário ambiental favorável, com a expectativa de ampliar mercado, inclusive com possibilidade de exportação. Por isso, o catálogo foi um grande avanço, justamente por ser um referencial sobre um produto diferenciado.

“Esse documento foi um divisor de águas na realidade dos produtores. Muitos empresários voltaram a acreditar em um negócio que sabemos que é muito bom e está trazendo frutos até na área ecológica para a Amazônia. Estamos plantando de volta o que já estava destruído. A pecuária e a agricultura acabaram e sobrou uma área que não rendia mais nada. Estamos entrando, plantando e fazendo florestas, gerando emprego e renda”, declara Ganassoli.

Moacir Alberto Raimam, da Centerplac Compensados, reforça a ideia de que o compensado de Paricá tem um forte apelo sustentável e ressalta que o que faltava era mostrar esse diferencial para o público consumidor e o mercado em geral. Ele conta, ainda, que o grupo de empresários está mandando amostras do produto também para fora do país. Viagens já estão agendadas para países da Europa e para os Estados Unidos para que os produtores possam prospectar novos negócios. “Temos uma boa perspectiva, até porque o Paricá é um produto diferenciado dos demais, pelo peso e baixa densidade. Basta encontrarmos o consumidor certo para ele. Estamos buscando nichos de mercado que vão precisar deste tipo de produto”, explica.

O grupo distribuiu o catálogo para representantes e revendedores, mas uma nova remessa vai ser distribuída também para marceneiros e pequenas fábricas.

Além disso, o plano dos empresários é também participar de grandes feiras. A primeira foi a 2ª Expo Madeira & Construção, que aconteceu em março, em Curitiba (PR). Ainda para este ano os fabricantes já estão pensando em participar de outros eventos no país.

Como a feira em Curitiba foi a primeira participação do grupo em eventos nacionais, Ernesto Carlos Ganassoli destaca que os empresários perceberam um mercado muito amplo, com oportunidades de negócios que ainda não eram vislumbradas. “Foi uma das melhores ações que poderíamos ter pensado para divulgar o produto. Atendemos muitas pessoas realmente interessadas e com vontade de firmar uma parceria, buscando um produto diferenciado para o seu negócio. Certamente o evento abriu muitas portas para nós”, declara.

Segundo Moacir Alberto Raimam, as ações ainda são tímidas, mas com certeza o grupo não vai parar por aí. “Na 2ª Expo Madeira & Construção, pudemos abrir a mente para o mercado enorme que existe, apesar da crise. Temos que correr atrás das oportunidades que vêm aparecendo a todo momento”, garante.

Confira o Catálogo clicando aqui.

Por Maureen Bertol para o Portal Madeira e Construção

 

 

 

 

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