Construção civil do Paraná espera um 2017 melhor

6 de dezembro de 2016

Das 300 empresas ouvidas em pesquisa, 90% pretendem aumentar ou manter o nível de atividade

 

Os números negativos dos últimos três anos – queda acumulada de 13% na taxa de crescimento – parecem não assustar os empresários da construção civil no Paraná. De acordo com o balanço de 2016 e as perspectivas para 2017 apresentados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR), os empresários estão mais otimistas. A pesquisa feita com 300 empresas associadas aponta que 85% das empresas pensam em aumentar ou manter o número de funcionários para 2017 e 90% pretendem aumentar ou manter o nível de atividade. “Se os governantes não produzirem mais notícias ruins, temos condições de capitanear o crescimento”, afirma o presidente do Sinduscon-PR, José Eugenio Gizzi.

No cenário projetado para o próximo ano, as médias empresas prometem contratar 15% a mais de mão de obra. Entre os ramos de atividades, o único que aparece com um número negativo, prevendo demissões na ordem de 3%, é o que atente obras públicas.

Para Gizzi, a perspectiva mais animadora para 2017 baseia-se em uma possível queda da inflação, impactando na redução de juros e em mais recursos para financiamentos, que podem vir também da poupança. Somente a Caixa Econômica Federal, divulgou na semana passada que ainda há R$ 22 bilhões de recursos disponíveis para contratação de financiamentos imobiliários em 2016, em todo o país, dos quais R$ 2 bilhões para o Paraná.

O presidente lembra, no entanto, que a retomada do setor depende de fatores conjunturais como a discussão das reformas trabalhista, previdenciária, política e tributária, além da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita os gastos públicos do governo. Na opinião do presidente, o empresário vai se sentir mais confiante em investir ao perceber que essas discussões irão avançar. “Se não houver a retomada do PIB, 2017 pode ser recessivo também”, avalia.

Outro fator indicado como crucial para o desenvolvimento do setor passa por reduzir a burocracia. Segundo Gizzi, Belo Horizonte (MG) é um bom exemplo. Por lá, as construtoras enfrentam um tempo menor com trâmites de cartório e o processo é online. “A fiscalização está focada na construção em si. A burocracia é um dos fatores que impactam no negócio”, afirma.

Menor estoque e preços estáveis

A pesquisa realizada pelo Sindicato revela uma tendência de redução do estoque de imóveis novos e, com isso, um equilíbrio dos preços em 2017, em Curitiba. De 2016 para 2015, houve uma queda de 24% no número de unidades concluídas. Além disso, a liberação de novas construções deve ser 8% menor quando comparada ao ano anterior. Este ano, a capital paranaense teve 2.200 unidades verticais lançadas, 28% menos que em 2015. “Não há previsão de novas autorizações e algumas regiões já não têm oferta de imóveis novos específicos”, explica o consultor de mercado do Sinduscon-PR, Marcos Kahtalian. Os dados de outubro mostram que Curitiba conta com 7.800 imóveis em estoque (prontos e em construção). “A cidade absorve entre 4.500 e 5 mil unidades verticais novas por ano”, informa o consultor.

Por Juliane Ferreira para o Portal Madeira e Construção
Foto: Priscilla Fiedler/Sinduscon-PR

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