Construções de madeira atingindo novas alturas

6 de outubro de 2016

Este artigo assinado pela Associação Canadense de Produtos Florestais, pelo Conselho Canadense de Madeira e pela FPInnovations mostra como a corrida para saber qual país construirá o prédio mais alto do mundo pode gerar impactos positivos na comunidades, no meio ambiente e no desenvolvimento tecnológico

 

Você não vai ler sobre isso na seção de esportes em breve, mas um número de cidades canadenses está competindo em uma corrida global de alto risco que afetará diretamente as pessoas das nossas comunidades.

As cidades – incluindo Vancouver, Toronto, Montreal e Quebec – estão competindo em uma corrida incrível contra uma série de cidades ao redor do mundo para construir os edifícios mais altos em madeira.

Em Vancouver, por exemplo, um prédio de 18 andares para estudantes na University of D.C já está em construção e, em breve, será um dos mais altos edifícios híbridos de madeira maciça no mundo. Na cidade de Quebec, foi iniciado em meados de junho um condomínio de 13 andares que irá incluir 12 andares de madeira.

Não há nenhum mistério nisto. Construtores sempre tiveram grande consideração por produtos de madeira, porque são amplamente disponíveis e de baixo custo, e proporcionam uma construção rápida, além de serem fáceis de usar e duráveis.

A procura, é claro, vem crescendo. Mas a sua popularidade tem aumentado nos últimos anos por outras razões. Primeiro de tudo, eles são ótimos para o meio ambiente. Os produtos florestais são, naturalmente, sustentáveis, e árvores atuam como um “vácuo” da natureza, porque absorvem carbono, reduzindo, assim, os gases de efeito-estufa que levam à mudança climática. Árvores, em geral, absorvem mais carbono quando são jovens e em crescimento e se tornam emissores à medida que envelhecem. Porém, quando são transformadas em produtos de madeira, no entanto, o carbono é sequestrado.

Em segundo lugar, a inovação no setor dos produtos florestais tem feito da madeira, sempre popular entre os consumidores, ainda mais atraente para os construtores. Uma dessas inovações, a madeira laminada colada (Cross-laminated Timber – CLT) é particularmente importante nesta tendência de grandes edifícios de madeira. CLT é um painel de madeira multicamadas, onde as camadas são empilhadas perpendicularmente e depois coladas em conjunto com prensas hidráulicas ou a vácuo. Da perspectiva de um construtor, o resultado final é um material que é mais rápido e menos oneroso de usar, mais forte, capaz de ser transformado em painéis resistentes ao tempo (não importa o clima), e sustentável. Além de tudo isso, já que eles têm peso e a força do aço, painéis CLT têm se mostrado resistentes tanto ao fogo, quanto a terremotos, tornando esta inovação superior em muitas aplicações para produtos concorrentes.

Nenhuma surpresa, então, que não são apenas os construtores e comunidades canadenses que estão começando a despertar para os muitos benefícios da madeira. Em Londres, na Inglaterra, uma torre de madeira de 100 andares foi proposta. Em Estocolmo, um edifício de 40 andares, e novas grandes construções de madeira na Austrália, Áustria, Noruega e os Estados Unidos estão surgindo, só para citar alguns.

Mesmo que a maioria das comunidades canadenses ainda não tenha adaptado seus códigos de construção para permitir estruturas de madeira para além de quatro ou seis andares, a madeira está claramente ganhando terreno. Alterações de código que permitam o uso de quadros de madeira e madeira maciça em edifícios de até seis andares de altura, que foram incluídos na versão 2015 do Código de Construção canadense, foram adaptadas e adotadas por Ontário, Quebec e Alberta. British Columbia adotou uma disposição semelhante em seu código de construção em 2009.

Alterações dos códigos de construção nacionais para edifícios de madeira de até 12 andares, envolvendo o uso de madeira maciça, foram propostos pelo Conselho de Madeira do Canadá. Quebec tem liderado o caminho sobre este assunto a partir do desenvolvimento de um código alternativo para estes tipos de edifícios. Assim, a madeira está atingindo novos patamares – e por todas as razões corretas.

O ministro dos Recursos Naturais, Jim Carr, disse a respeito dos investimentos federais em madeira: “(Eles) levam às mais limpas práticas de construção e são mais sustentáveis. Ao mesmo tempo, promovem a criação de oportunidades de emprego no setor florestal. Ideias inovadoras e empreendedoras como estas são parte integrante de nossa luta contra as alterações climáticas.”

O Canadá está pronto para um bom início na corrida para fazer edifícios de madeira mais altos. Para o bem da nossa indústria de produtos florestais, das mais de 200 comunidades canadenses cujas economias dependem dela, 237.000 funcionários e nosso ambiente, vamos esperar que cruzemos a linha de chegada o mais rápido possível.

Derek Nighbor é CEO da Forest Products Association of Canada (Associação Canadense de Produtos Florestais); Michael J. Giroux é presidente do Canadian Wood Council (Conselho Canadense de Madeira); e Pierre Lapointe é presidente e CEO da FPInnovations.

Tradução: Maureen Bertol para o Portal Madeira e Construção

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