Consumo consciente na construção pauta projeto “Caçamba do Bem”

3 de outubro de 2018

Iniciativa foi elaborada por grupo de Curitiba com o objetivo de estimular a sustentabilidade a partir do reaproveitamento de sobras de materiais de construção

Três arquitetas e uma designer de Curitiba (PR) lançaram um projeto que visa ampliar a sustentabilidade nas construções e chamar atenção para o consumo consciente relacionado ao setor. Elas são as responsáveis pelo “Caçamba do Bem”, pelo qual reúnem sobras de materiais de construção para financiar obras de melhorias de instituições sociais. “Muitas pessoas, ao conhecerem o projeto, comentam que gostariam de ter feito algo, mas não sabiam o que e de que forma”, conta a arquiteta Fernanda Heller, uma das idealizadoras da iniciativa.

O grupo – composto ainda pelas arquitetas Camila Picoli, Carolina Beckert e a designer Marília Bender Almeida – decidiu “arregaçar as mangas” para fazer algo com os grandes volumes de sobras de obras, seja de uma construção nova ou de uma reforma. Muitas vezes são materiais novos, que vão direto para a caçamba porque não atendem às exigências do cliente. “Sobrava muita coisa boa”, enfatiza Fernanda.

“A construtora entrega a obra de um apartamento já com todas as louças sanitárias, mas elas não são do gosto do comprador e ele troca tudo. Era tudo zero quilômetro. Isso vai para a caçamba, para ser descartado, e poderia ser muito bem aproveitado”, exemplifica a arquiteta. Neste processo, inclusive, este material pode ser quebrado e fica sem uso.

Em outros casos, como em reformas, são retirados spots, portas, trincos, pisos, porcelanatos, cubas e tantos outros materiais que podem não ser mais o que o cliente quer esteticamente, mas ainda têm sua funcionalidade estabelecida.

Fernanda e as colegas decidiram, então, montar um projeto para reunir as sobras de materiais de construção, para que não fossem simplesmente desperdiçados. “Na nossa pesquisa, verificamos que uma parcela considerável do lixo produzido é composta por restos de materiais de construção, sendo que 80% desta quantidade poderia ser reaproveitada ou reciclada”, comenta.

No entanto, não seria eficiente repassar as sobras de materiais para instituições que pretendiam fazer reformas, pois não necessariamente seriam o que precisariam naquele momento. “Por isso, surgiu a ideia de fazermos um bazar para a comunidade em geral com estas sobras de obras, a preços bem mais acessíveis. Com o todo o dinheiro arrecadado, vamos financiar projetos específicos, selecionados, de instituições sociais”, esclarece Fernanda.

O projeto foi idealizado pelas arquitetas Fernanda Heller, Camila Picoli e Carolina Beckert e a designer Marília Bender Almeida (Foto: Divulgação)

O projeto “Caçamba do Bem”, em apenas um mês e meio, já conseguiu lotar um depósito com sobras de material de construção. As responsáveis pela iniciativa conseguiram um outro espaço para armazenar as outras doações, encaminhadas por profissionais da área que se engajaram na causa. “Fazemos uma verificação do que será encaminhado, com envio de fotos, por exemplo. De madeira, vão portas e caixilhos (batentes). De uma única vez, foram entregues 15 portas, vindas de uma reforma”, relata Fernanda, que lembra que há muito mais produtos de madeira que podem ser reaproveitados após uma reforma e encaminhados para doação.

Em função da adesão ao projeto ter sido maior do que a esperada, o grupo pensa em participar de um bazar juntamente com outras instituições ainda no mês de outubro – um evento que já estava programado -, para obter recursos para um projeto específico de uma instituição de Curitiba, já estabelecido. Funcionaria como uma parceria, neste momento. “Será como uma espécie de experiência. O nosso primeiro bazar está programado para o primeiro fim de semana de dezembro”, indica.

O “Caçamba do Bem” não para por aí. Os recursos arrecadados com o primeiro bazar próprio do projeto vão para uma obra de uma instituição, que ainda será escolhida. Há uma lista que está sendo analisada pelas três arquitetas e pela designer. Paralelamente, o grupo tenta firmar parcerias com outros escritórios do segmento tanto para a elaboração de projetos para as instituições que serão beneficiadas quanto para a doação de outros materiais e de outros tipos de recursos, como mão de obra e financeiros mesmo. Os profissionais parceiros vão receber um selo Caçamba do Bem em seus escritórios, uma medida que simboliza a elaboração desta rede de solidariedade, sustentabilidade e consumo consciente.

Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas a partir de contato pelo e-mail oi@cacambadobem.com.br.

 

Por Joyce Carvalho para o Portal Madeira e Construção

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