Curso de Engenharia Civil irá formar profissional do futuro

31 de julho de 2017

Proposta desenvolvida por FAE Centro Universitário, Sinduscon-PR e Senai PR quer levar para os estudantes conceitos como sustentabilidade, inovação e gestão

 

Formar profissionais para o futuro, com foco em sustentabilidade, inovação, novas ferramentas e equipamentos, novas tecnologias, gestão e empreendedorismo, alinhados às demandas do mercado. Essa é a proposta do novo curso de Engenharia Civil que será lançado pela FAE Centro Universitário em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Paraná (Senai-PR). O curso, totalmente voltado ao mercado de trabalho, está sendo desenhado por profissionais com experiência na área, justamente para oferecer conceitos modernos que não estão sendo encontrados nos cursos tradicionais, e será lançado ainda para o vestibular deste ano, tendo início no ano que vem.

Para Euclesio Finatti, vice-presidente do Sinduscon-PR, a ideia das três instituições é ajudar no desenvolvimento da construção civil brasileira, pois, até o momento, o setor “vem construindo como fazia há dois mil anos atrás”. Ele afirma que pouco se inovou nesta área e mesmo com algumas iniciativas isoladas, a construção civil ainda não se modernizou.

“Neste curso, queremos mudar a cabeça dos estudantes, fazer com que esse novo engenheiro venha diferenciado para o mercado. Precisamos pensar na modernidade, nos novos sistemas construtivos. Esse é o viés básico do curso: sair da mesmice, preparar o engenheiro para uma nova era, para o novo Brasil que precisa nascer. Vamos prepará-los com base em diversos conceitos, entre eles o de sustentabilidade e inovação, que não estão sendo difundidos. Nos cursos tradicionais, procura-se fazer o mínimo, apenas aquilo que é exigido pelo Ministério da Educação (MEC), sem pensar em inovação. Nossa proposta é fazer exatamente o contrário, pensando sempre em desenvolver os estudantes com atitudes inovadoras”, destaca.

“Obra sustentável não é do jeito que estamos fazendo hoje. Precisamos fazer obras a seco, sem um único volume de resíduo, onde tudo que levarmos para o canteiro de obra será absolutamente consumido”, afirma Euclesio Finatti, vice-presidente do Sinduscon-PR

Uma grande mudança anunciada pelo vice-presidente do Sinduscon-PR é que já no primeiro ano os futuros engenheiros vão para o campo de trabalho, com noções, por exemplo, de topografia. O objetivo dessa ação é mudar um dos grandes gargalos da área: a dissociação com o mercado de trabalho. Por isso, a proposta do curso é que os estudantes entendam já no início da graduação o que é ser um engenheiro na prática, com as exigências do mercado. “Se hoje eu for contratar um profissional para a minha construtora, ele precisará ficar ‘grudado’ em mim durante muito tempo para que, então, ele possa sair e trabalhar sozinho. Ele não tem conhecimento técnico suficiente para ser um profissional completo, e isso é uma das coisas que queremos mudar”, lembra.

Além disso, Finatti ressalta que é preciso incluir a preocupação com a sustentabilidade nessa discussão, porque o meio ambiente já não suporta mais as construções no modelo tradicional, com grande geração de resíduos, por exemplo. “Obra sustentável não é do jeito que estamos fazendo hoje. Precisamos fazer obras a seco, sem um único volume de resíduo, onde tudo que levarmos para o canteiro de obra será absolutamente consumido”, garante.

Uso da madeira

Segundo ele, a madeira faz parte dessa discussão e também está inserida no processo de industrialização da construção civil, algo que vai ficar premente no curso.

“Certamente a madeira vai ser apresentada como um dos componentes mais importantes. Isso já deveria estar acontecendo, e diversos especialistas ressaltam que falta a discussão sobre construção sustentável na academia. Queremos suprir essa falha na origem. Se não fizermos na origem, dificilmente vamos caminhar. Na minha opinião, já estamos caminhando, pois tenho tido boas respostas de quem está usando o sistema construtivo wood frame. Por isso, acredito muito nos jovens que estão entrando na universidade e estão enxergando a oportunidade de industrializar e construir com madeira. Esta é a oportunidade de quebrar o paradigma do tijolo sobre o tijolo. Vamos fazer muita força para que esse conceito atue ao longo dos cinco anos de curso”, afirma.

Já no primeiro semestre os estudantes terão aulas sobre industrialização e o processo construtivo com madeira. Para Finatti, não é possível mais se discutir a construção civil sem pensar nesses conceitos. Sobre isso, ele estabelece um paralelo e questiona: se um carro pode ser feito numa linha de montagem com começo, meio e fim, por que a casa não pode ser produzida da mesma forma, com as estruturas produzidas em uma fábrica e somente sendo montadas no local da obra?

“Precisamos mudar esse paradigma. Somos uma indústria. Estamos numa era avançada de tecnologia e continuamos construindo com areia, pedra e cimento, fazendo muita sujeira e gerando inúmeros resíduos, devolvendo à natureza algo pior do que foi extraído”, comenta.

Por isso, ele diz que o curso tem a proposta de fazer com que as outras universidades entendam que é preciso mudar, para, assim, elevar o perfil dos novos profissionais e melhorar o produto final. De acordo com Finatti, as academias terão que se adequar a esse novo formato.

“Se todas as instituições de ensino não seguirem esse viés, duas coisas vão acontecer: num futuro próximo, poderão perder abrangência dos seus cursos, ou seja, os estudantes vão começar a entender que essa nova formação é necessária; e o segundo ponto, que eu considero mais sério, é que os alunos dessas universidades vão continuar sendo alunos do milênio anterior, o que não dá mais. É preciso pensar a construção civil com mais produtividade, aliando o conhecimento com as novas tecnologias, métodos que trarão mais agilidade e assertividade nos projetos futuros”, salienta.

Outro ponto que será a bordado no novo curso de Engenharia Civil é a gestão. Na opinião de Finatti, sem essa visão, os profissionais terão dificuldades para comandar uma empresa, mas ele ressalta que além do conceito técnico, é fundamental que um bom profissional tenha também conhecimento gerencial. “O engenheiro precisa melhorar a execução para melhora produtividade e aumentar capacidade de empreender”, diz.

Parceria entre as três instituições

Para idealizar o curso, FAE, Sinduscon-PR e Senai-PR estão trabalhando juntos, cada um trazendo a sua expertise para dentro da discussão. O Sinduscon-PR vem atuando ativamente na criação de todo o projeto pedagógico do curso e também vai proporcionar aos alunos a possibilidade de vivenciarem o dia a dia do setor nas empresas associadas. Tudo isso será feito por meio de estágios e da aplicação de projetos em ambientes reais da área. A FAE entra com a infraestrutura, além dos professores e profissionais que atuam no mercado. E o Senai-PR vai complementar a formação prática, disponibilizando laboratórios, estágios e projetos para que o estudante esteja sempre se atualizando com as tecnologias existentes, bem como os novos métodos construtivos.

“Para o Senai isso vem ao encontro de sua missão institucional, que é oferecer condições e alternativas em educação para as indústrias. Estamos viabilizando um projeto educacional do ensino superior dentro daquilo que o mercado precisa. Esse é o papel do Senai”, avalia o diretor regional do Senai, José Antonio Fares.

De acordo com Jorge Apóstolos Siarcos, reitor da FAE, a proposta foi um grande desafio e, por isso, exigiu um planejamento minucioso. Mas o resultado vai valer a pena. “Além da excelência em gestão e empreendedorismo que a FAE oferece, também tínhamos os desafios propostos pelo mercado, que é de formar profissionais completos com conhecimento na área de negócios, nas tecnologias de ponta e responsabilidade social e ambiental.  A FAE formará esses profissionais”, completa.

 

Por Maureen Bertol para o Portal Madeira e Construção
Fotos divulgação

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