Due diligence é usado para verificar boas práticas ambientais do setor florestal na Amazônia

10 de junho de 2019

Apesar de alguns avanços, Brasil ainda enfrenta desafios para garantir rastreabilidade da madeira

Com o objetivo de diminuir a insegurança no comércio da madeira da região Amazônica, a Associação da Cadeia Produtiva Florestal da Amazônia (Unifloresta) criou um modelo para atestar as boas práticas ambientais. A prática foi apresentada pelo advogado da associação Murilo Araújo no Painel Floresta e Consumo do evento Ideias Inovadoras para a Cadeia da Construção em Madeira, promovido pelo Núcleo da Madeira, em São Paulo até quarta-feira (12).

Por meio da rastreabilidade móvel com evidências são coletados dados como guias de transporte, inventário dos maquinários, documentos de identificação de motoristas e caminhões, coordenadas geográficas, rotas de transporte e cadeia de custódia por meio de um aplicativo. A primeira parte inclui toda a verificação documental. A segunda, a rastreabilidade por meio de QR Codes nas toras. Além da rastreabilidade evidencial, o trabalho realizado pela associação passa por vistorias preventivas em serrarias, serviços de inteligência, due diligence nos locais, programa de verificação legal e manejo comunitário.

O resultado, segundo o advogado Murilo Araújo da Unifloresta, é que a madeira brasileira voltou a ter confiabilidade no mercado externo. No entanto, para ele, apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta falta de capacitação, leis e normativas fora da realidade da produção, pluralidade de competências fiscalizatórias, corrupção, ausência de planejamento, excesso e abuso da autoridade.

O moderador do Painel Marco Lentini, consultor florestal, destacou que a rastreabilidade é irreversível para os negócios e para o setor florestal, não apenas para a Amazônia, mas também para as áreas plantadas. Na avaliação de Lentini, é preciso entender como as comunidades se inserem nessa cadeia e perceber que não se trata de uma competição entre nativas e plantadas. “É preciso discutir, mercado e multi produtos”, defendeu.

Valor para florestas plantadas

A experiência da exploração de florestas plantadas por pequenos produtores e serrarias em Santa Catarina foi apresentada aos participantes do evento pelo engenheiro florestal Marcelo Borges, da IBF Madeiras.

Para o profissional, o manejo adequado gera um maior valor para os produtores. Por meio do trabalho realizado na região, houve uma padronização dos produtos com a identificação de da origem da madeira, por qual serraria passou e como chegou ao cliente final. “A cultura de rastreabilidade se mantém ao longo da cadeia e passa a ser uma conversa sadia entre produtor, indústria e cliente final, já que o produtor participa do preço que fica acima do mercado”, explicou Borges, que destacou como um dos resultados a formação de uma cadeia próspera, na qual a relação mais importante é com as pessoas.

Essa visão da importância do manejo adequado para agregar valor à madeira também é compartilhada pelo engenheiro florestal Marcelo Ambrogi, da Ima Florestal. Segundo o engenheiro, para atingir uma boa produção é possível seguir dois caminhos: o manejo convencional com foco em multi produtos, volume principal e rotação mais longas; ou o intensivo, com foco na qualidade.

De acordo com Ambrogi, a produção de toras permite a geração e desenvolvimento de novas cadeias de produtos e negócios. “A cadeia de madeira sólida é a grande geradora de empregos. 54% dos empregos da cadeira florestal estão ligados à produção de madeira sólida e a qualidade da madeira está ligada ao diâmetro e ausência de nós”, exemplificou.

Por Juliane Ferreira para o Portal Madeira e Construção (a jornalista viajou a convite do Núcleo da Madeira)

 

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