Especialistas defendem cidades pensadas para as pessoas

2 de Março de 2018

A principal argumentação é de que a participação popular será essencial para a sustentabilidade dos projetos de urbanização

Em vários painéis do Smart City Expo Curitiba 2018, realizado entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março, os gestores de projetos urbanos deixaram claro que as cidades inteligentes devem ser planejadas de modo a dar prioridade às pessoas. Essa visão ficou evidente, também, na apresentação do arquiteto argentino Juan Pablo Negro, que defendeu a sustentabilidade social como modelo de intervenção, no painel Desenvolvimentos Urbanos Sustentáveis.

O planejador urbano levou para o congresso a experiência do Instituto de Vivienda de la Ciudad (IVC) – órgão vinculado à Prefeitura de Buenos Aires – para a reurbanização de 50 conjuntos habitacionais da cidade, que reúnem cerca de 150 mil moradores. O projeto tem três objetivos prioritários: a reurbanização e integração das vilas e assentamentos, a manutenção e reabilitação de conjuntos urbanos habitacionais e o acesso a créditos hipotecários.

Um dos projetos já em andamento é o de reurbanização de uma área onde vivem aproximadamente 40 mil moradores, a Villa 20, que passará a se chamar Bairro Papa Francisco. Os diferenciais da proposta são a gestão participativa com a população, a criação de uma identidade cultural, por meio do envolvimento das crianças, o fomento a espaços de inclusão e ações que garantam a sustentabilidade econômica das famílias. “Temos a aspiração de tornar Buenos Aires uma smart city, com a inclusão de todos os cidadãos e, dessa forma, assegurar a sustentabilidade dos processos de urbanização”, afirmou Negro.

Cidades sustentáveis

No Brasil, o Programa Cidades Sustentáveis caminha em uma direção semelhante. O coordenador geral da iniciativa, Jorge Abrahão, falou dos esforços das instituições envolvidas em inserir no planejamento das cidades os compromissos com o desenvolvimento sustentável estabelecidos na Agenda 2030. O propósito é o de reverter a realidade atual de desigualdade social, predação do ambiente e de pouca participação popular nas decisões que afetam os municípios.

Uma das ações para perseguir esse objetivo, lembrou Abrahão, foi a criação de uma lei que obriga os prefeitos brasileiros a estabelecerem um programa de metas alinhado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), com participação popular. Até agora, 53 das 206 cidades comprometidas com a agenda de sustentabilidade já apresentaram seus programas. Abrahão, que também integra o conselho do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), enxerga nesse processo um aprimoramento da democracia com o comprometimento político e a participação da sociedade.

Parcerias público-privadas

Outro viés defendido no painel Desenvolvimentos Urbanos Sustentáveis foi o das parcerias público-privadas para viabilizar projetos de urbanização. A arquiteta Regina Monteiro, da Prefeitura de São Paulo, criadora e coordenadora da Lei Cidade Limpa, falou do trabalho para acabar com a poluição visual, por meio de termos de cooperação com empresas e bancos, que assumem os investimentos na revitalização de espaços públicos em troca de manterem suas marcas por determinado tempo.

Alguns governos municipais também têm firmado parcerias com a iniciativa privada para administrar outro setor sensível para as cidades – a iluminação pública, que está diretamente relacionada à questão da segurança. O diretor comercial da Citelum Groupe EDF, Pedro Alcântara Júnior, apresentou exemplos de capitais como São Luiz, Teresina, Goiânia e Salvador, onde a empresa de origem francesa assumiu os projetos de iluminação pública, modernizando os sistemas com a substituição das lâmpadas de vapor de sódio por luminárias com tecnologia LED e a implantação de plataformas para automatização do controle operacional desses sistemas.

Os investimentos para inserir os componentes de eficiência energética nos sistemas de iluminação pública são altos, mas se pagam, em médio e longo prazo, considerando a economia obtida com a ampliação da vida útil das luminárias e redução da necessidade de manutenção.

Para dar suporte aos municípios, o BNDES dispõe de uma linha de financiamento, desde 2016, destinada a projetos de iluminação pública. “Estamos priorizando os municípios onde seriam obtidos os maiores impactos”, afirmou o do chefe do Departamento de Gestão Pública do banco, Rodrigo de Matos Moreira, referindo-se à economia das administrações com os gastos com energia que, segundo ele, são a segunda maior conta das prefeituras, atrás apenas da folha de pagamento.

Belo Horizonte foi uma das capitais beneficiadas e, agora, estão em processo de financiamento os projetos de Teresina e Porto Alegre. “Dispor de bons projetos tem representado o principal gargalo para que a gente possa financiar”, acrescentou Moreira.

Por Andrea Lombardo para o Portal Madeira e Construção

Brasil está a anos-luz do conceito de smart city, diz Trigueiro

Compartilhe
Voltar para Notícias

Cadastre seu email e receba nossa newsletter