Especialistas discutem concepção de projetos em madeira

17 de setembro de 2018

Tema será apresentado durante painel no 5º Simpósio Madeira & Construção, nesta quarta-feira, 19, em Curitiba (PR)

Com um olhar sobre a concepção de arquitetura unida a projeto e cálculo estruturais, o engenheiro industrial madeireiro, Rafael Andrade Souza, e o engenheiro civil Kastner Marcelo Drewell vão levar para o 5º Simpósio Madeira & Construção, nesta quarta-feira, 19, em Curitiba (PR), uma discussão que pretende unir arquitetos e engenheiros. “Vamos iniciar com o conceito de apoio das estruturas, a distribuição das cargas e como ela influencia no apoio da estrutura. Também vamos abordar a transferência de esforço das cargas, entrando no conceito do sistema da estrutura para melhor explorar o material”, adianta Souza.

Além disso, Drewell também vai apresentar a parte arquitetônica, o que é importante e as premissas que devem ser seguidas para começar a projetar em madeira. Ele vai mostrar as formas possíveis e como chegar nelas, mostrando cada etapa.

“Queremos abrir o apetite das pessoas para que pesquisem e busquem mais informações sobre cada assunto que vamos apresentar. São itens que se unem. Nossa proposta é dar uma base geral para abrir os olhos e para que as pessoas vejam que projetar com madeira não é um bicho de sete cabeças”, completa.

O engenheiro civil e especialista em estruturas de madeira Guilherme Stamato, que irá moderar o painel “Projetos em madeira”, garante que hoje já é possível fazer grandes obras com madeira, inclusive edifícios altos, graças à evolução da tecnologia aplicada. Ele cita o desenvolvimento da madeira laminada colada cruzada e da própria madeira laminada colada, que, aliadas, permitiram quebrar a barreira do número de andares de edifícios, por exemplo. Outro grande avanço é a aplicação de automação e equipamentos de precisão para usinagem e produção das madeiras engenheiradas, que possibilitam construções industrializadas e com precisão de montagem equivalente ao que se consegue com estruturas metálicas, por exemplo.

“É importante citar também a valorização do desempenho energético das construções, já que essas construções em CLT ou wood frame costumam atender desempenho térmico grande, sem que isso encareça demais a edificação, e a evolução do entendimento do comportamento da madeira em situação de fogo, pois os estudos demonstram que é possível prever o comportamento dela em um incêndio e, assim, fazer um projeto que dê segurança mesmo nessa condição extrema. Todas essas evoluções ajudam a quebrar um pouco do preconceito que ronda a madeira”, destaca o engenheiro.

Na opinião de Rafael Andrade Souza, a utilização de todos os elementos está sendo feita com inteligência, ou seja, pegando a melhor característica de cada material e usando-a de forma combinada. Um exemplo disso são os sistemas híbridos, aliando a madeira ao concreto.

“Usa o que é importante do concreto com a levedes do CLT. Usamos a madeira onde ela é importante, mas o concreto também. A tecnologia está ao nosso alcance. Temos facilidade para novos softwares para calcular estruturas de madeira, softwares específicos, e tudo isso traz mais segurança, facilitando muito o trabalho da Engenharia e da Arquitetura. Não tem limite para utilização. O problema está muito mais na barreira cultural do que no nível de tecnologia disponível”, reforça.

Mas além do preconceito das pessoas com relação à madeira, Kastner Marcelo Drewell avalia que a dificuldade para se obter conhecimento sobre o assunto no Brasil é uma grande barreira. “Falta conhecimento sobre a característica do material, como fixar, como agregar o conhecimento de cálculo com concepção, com o design da estrutura. A mão de obra disponível, hoje, também carece qualificação”, afirma.

Outro problema apontado pelos três profissionais está nas universidades, já que as faculdades de Engenharia e Arquitetura pouco ensinam como se trabalhar com madeira. O engenheiro da Immergrun lembra que há poucas pessoas que sabem construir com esse material, e o Brasil tem tentado “correr atrás para recuperar o tempo perdido, mas isso não está acontecendo com incentivos das escolas e do governo. Não temos mão de obra qualificada, os professores não estão preparados”.

E Guilherme Stamato complementa: “como os currículos das universidades não trazem conhecimento sobre o assunto, as pessoas que se interessam por esse tipo de construção precisam pesquisar por conta própria ou fazer pós-graduação para buscar um conhecimento que não está tão disponível”, ressalta.

O Simpósio é promovido pela Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) e Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFR) e conta com o apoio institucional da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR), Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), Conselho Regional de Arquitetura do Paraná (CREA-PR), Embrapa Florestas, Faculdade Estácio, Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná, Grupo Interdisciplinar de Estudos da Madeira da UFSC, Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), Universidade federal de Santa Catarina (UFSC), Unicentro e Unila.

Para conferir a programação completa acesse www.expomadeira.com.br.

 

Serviço

5º Simpósio Madeira & Construção
Data:
19 de setembro de 2018
Local: Centro de Eventos da UTFPR – Av. Sete de Setembro, 3165 – Curitiba (PR)
Horário: das 8h às 18h
Inscrições apenas no dia do evento
Mais informações: apre@apreflorestas.com.br

Por Portal Madeira e Construção com informações da Assessoria de Imprensa da Apre
Foto: Stamade Projetos e Consultoria em Estruturas de Madeira

Compartilhe
Voltar para Notícias

Cadastre seu email e receba nossa newsletter