Estruturas industrializadas trazem mais rapidez à construção

20 de setembro de 2017

De acordo com engenheiro Guilherme Stamato, demanda por esse tipo de estrutura está crescendo

Para aumentar o consumo de madeira de floresta plantada, um dos caminhos é a industrialização das estruturas de madeira para cobertura. Segundo o engenheiro Guilherme Stamato, diretor da Stamade Projetos e Consultoria em Estruturas de Madeira, existem no Brasil duas formas principais de estruturas industrializadas: a de madeira laminada colada, que é mais utilizada em construções de alto padrão; e as treliças industrializadas, que atendem atualmente construções residenciais. De acordo com o engenheiro, existe hoje grande demanda para isso, já que a utilização delas traz mais rapidez à obra, além de possibilitar menor geração de resíduos.

“O conceito de telhado industrializado tira metade das etapas de montagem do telhado. Não necessita terça e caibro, por exemplo, simplificando muito o sistema de montagem, reduzindo custo de mão de obra e de material. Além disso, é um sistema muito competitivo quanto mais repetição tiver. Numa estrutura de telhado com madeira de reflorestamento tratada, é possível montar de 100 a 150 metros por dia, ou seja, a construção é incomparavelmente mais rápida do que a do telhado tradicional. A demanda existe, mas poucas empresas conseguem atender. Por isso, a expectativa é muito boa para o futuro”, avalia.

Ainda segundo Stamato, não existe no Brasil um levantamento que mostre quanto de madeira foi utilizada para construção de telhado, mas esse é o tipo de pesquisa que deveria ser feito. De acordo com dados da Stamade, nos últimos 10 anos a empresa construiu aproximadamente dois milhões de metros quadrados, e a demanda tende a crescer. Numa conta rápida, o engenheiro mostrou que a expectativa do programa Minha Casa Minha Vida é de construir um milhão de residências. Se metade dessas casas tiver 50 metros quadrados de telhado, haverá uma demanda de 25 milhões de metros quadrados de telhado. Assim, o consumo de madeira de florestas plantadas chegaria a aproximadamente 500.000 metros cúbicos.

Mas para que esse mercado se desenvolva, assim como o de wood frame, o engenheiro ressalta que é fundamental que haja madeira tratada e de qualidade disponível no mercado. Além disso, ele afirma que é preciso também divulgar os benefícios da madeira como um todo para o uso na construção civil.

“O setor florestal está errando em algum ponto, porque tem potencial, conhece o produto, mas não consegue popularizar a madeira como deveria. Somos um setor que tem um produto extremamente bom, mas não somos organizados o suficiente para levar essas informações até o cliente. Isso faz com que a madeira perca credibilidade. Quem são as empresas que realmente têm interesse em aumentar o volume de madeira tratada? Eu trabalho para isso. Quero ter mais clientes me procurando para fazer mais projetos de estruturas de madeira. Mas o que realmente estamos fazendo para isso? Todo mundo tem a mesma intenção, todos querem trabalhar para vender mais madeira e defender seu mercado, mas estamos errando em algum momento. Temos oportunidade, cabe a nós nos organizarmos. Temos potencial altíssimo, mas precisamos, além de querer, fazer”, declara.

Wood Protection

A palestra de Guilherme Stamato, intitulada “Estruturas industrializadas para coberturas”, fez parte da programação do evento Wood Protection, que aconteceu no dia 19 de setembro, na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), organizado pela Associação Brasileira de Preservadores de Madeira (ABPM), Malinovski e FG4 Mad Consultoria em Madeira. Além dele, também participou como palestrante o professor Calil Junior, da Universidade de São Paulo – unidade São Carlos.

Calil Junior falou sobre “Componentes estruturais para pontes e obras de infraestrutura”. Segundo ele, o estado de São Paulo tem cerca de 220.000 quilômetros de estradas vicinais e aproximadamente 1.100 quilômetros de pontes, dos quais 30% precisam ser reparados ou reconstruídos. O grande problema, segundo o especialista, é que a maioria das pontes de madeira existentes não é projetada e construída por técnicos e construtores especializados, o que resulta em estruturas caras, inseguras e de baixa durabilidade. Na avaliação dele, “o estado atual de degradação destas pontes reflete em um quadro negativo no uso da madeira como um material estrutural”.

Por conta disso, a unidade de São Carlos da Universidade de São Paulo tem trabalhado para mudar essa realidade. Ao longo dos anos os pesquisadores desenvolveram um software capaz de passar aos engenheiros um cálculo simplificado das pontes, chamado OTB, que está disponível para download na internet. Além do cálculo, o professor reforça que nas pesquisas são feitas também provas de cargas quando para desenvolvimento de novos modelos e protótipos de pontes, a fim de analisar a patologia para avaliar durabilidade do material e pontos críticos. “A partir dai fazemos a comparação com o que foi desenvolvido pelo software e o que foi feito na prova de carga. Isso mostra uma performance bastante adequada da parte de calculo e da parte estrutural”.

Nos últimos 10 anos, a unidade construiu 20 pontes mistas em madeira-concreto; duas pontes de madeira laminada protendida; duas pontes em vigas roliças; uma ponte em madeira laminada colada em construção; quatro cursos de projeto e construção de pontes de madeira para os engenheiros do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e das prefeituras do estado; várias publicações para o projeto de construção de pontes; e softwares para o projeto e dimensionamento de pontes roliças e pontes em tabuleiro. Todos esses trabalhos foram possíveis, segundo o professor, graças à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, órgão responsável por dar o auxílio financeiro para esses trabalhos.

Por Maureen Bertol para o Portal Madeira e Construção

Compartilhe
Voltar para Notícias

Cadastre seu email e receba nossa newsletter