Evento nacional sobre estruturas de madeira

6 de Março de 2016

Esta é a primeira vez que o evento vem ao Brasil

O XV Ebramem (Encontro Brasileiro em Madeiras e em Estruturas de Madeiras) vai trazer para a capital paranaense, entre os dias 09 e 11, discussões, atualizações e informações técnico-científicas ligadas ao assunto. Participarão do encontro pesquisadores brasileiros e estrangeiros, professores, estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais do setor construtivo e empresários. O tema central será “Madeira para a construção civil – tecnologia para minimizar impacto ambiental”. O evento terá a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) como apoio local. A associação também estará responsável, em conjunto com as universidades, por criar a comissão de avaliadores, receber os trabalhos técnicos, aprová-los e dividi-los por câmara e por dia de apresentações. O evento terá apoio da Prefeitura de Curitiba e fará parte do calendário oficial do Instituto Municipal de Turismo.

“O Ebramem é o maior evento técnico nacional e deve receber cerca de 350 pessoas. Vamos reunir aqui os melhores pesquisadores e projetistas de construção com madeira do mundo. Os holofotes certamente estarão focados em Curitiba, o que vai ajudar a fortalecer o nosso setor”, destaca Carlos Mendes, diretor executivo da Apre.

Para o professor Carlito Calil Junior, vice-presidente do Instituto Brasileiro da Madeira e Estruturas de Madeira (Ibramem) e um dos idealizadores do congresso, o encontro é importante para divulgar e aumentar a utilização da madeira no país. Ele lembra que em países desenvolvidos, como Canadá e Estados Unidos, por exemplo, 90% das casas têm estrutura de madeira. No Brasil, esse material construtivo ainda enfrenta muito preconceito.

Ampliar essa discussão, envolvendo professores, acadêmicos e profissionais das áreas de engenharia e arquitetura, é um dos objetivos do evento. A proposta é levar conhecimento aos profissionais, mostrando também o que pode ser feito com esse material, para que eles possam projetar utilizando a madeira.

“O grande problema é com relação à educação da engenharia da madeira. A maioria das universidades não oferece cadeiras dentro do curso para ensinar a estrutura de madeira, mas isso deveria ser obrigatório. Como grande parte das instituições não ensina, o engenheiro civil sai sem o conhecimento do dimensionamento de estruturas de madeira e o arquiteto sem conhecer o material. Dessa forma, a madeira fica prejudicada, porque se eles não aprendem, nunca vão recomendar”, comenta.

Na opinião de Everaldo Pletz, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e um dos coordenadores científicos do evento, a América Latina tem uma cultura voltada à construção com concreto. Mas o Sul do Brasil, especialmente o Paraná, tem uma ligação um pouco mais forte com o material. Por isso, pesquisadores de outros países vão mostrar o que é feito ao redor do mundo, que pode servir de exemplo para os profissionais brasileiros. Na 15ª edição do Ebramem, o foco será na tecnologia e, dentro desse contexto, a proposta é abordar a questão da sustentabilidade.

“Vamos mostrar que a opção pela madeira é a mais feliz de todas, porque o material contempla a sustentabilidade em todos os seus aspectos. Ela também é um material que pode se compatibilizar com outros. O grande problema é o desconhecimento. Queremos desfazer esse preconceito e emocionar o arquiteto e o engenheiro, mostrando a beleza que o material oferece. Essa união de forças vai ser importante para, aos poucos, fazermos essa transformação e abrirmos espaço para a madeira”, destaca Pletz. Ele também cita que a madeira é o material do futuro, porque tem forte vocação para industrialização. Na opinião dele, não é possível pensar em industrializar a construção civil sem incluir a madeira.

Chrstine Laroca, professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná e coordenadora científica do Ebramem, reforça a opinião dos professores e avalia que as universidades não incentivam a pesquisa e o ensino nessa área. Por isso, ela destaca que o encontro é importante para que as universidades vejam o que existe de novo, o que está sendo feito em outros países e as inúmeras possibilidades de uso. Assim, poderão ampliar a pesquisa dentro da academia para formar novos arquitetos e engenheiros com conhecimento técnico para projetar em madeira.

“Fora do Brasil é difícil encontrar uma casa de alvenaria, mas aqui ainda estamos engatinhando. Precisamos muito mais. Poucas pessoas sabem, por exemplo, que podemos projetar casas muito mais confortáveis do ponto de vista acústico e térmico. Temos que atuar nas três áreas – pesquisa, ensino e extensão -, para mudar essa realidade. O arquiteto e o engenheiro é que vão convencer o consumidor.Eles precisam conhecer as propriedades para poder indicar”, declara.

Para incentivar o projeto e a pesquisa nessa área e chamar a atenção das universidades, o Ebramem vai promover ainda um concurso em arquitetura da madeira, com uma versão para profissionais e outra para estudantes.

Para Paulo Pupo, superintendente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), o grande desafio dos elos da cadeia da madeira é eliminar um erro básico de conceito de muitos e também de algumas esferas do governo de que casas de madeira são construções destinadas para um público de baixa renda. Ele ressalta que o sistema construtivo tem alta tecnologia e abrange todos os segmentos da construção civil. “Dessa forma, a expectativa é de que o evento gere uma discussão ampla e fomente novos projetos e parcerias em prol do desenvolvimento do uso da madeira na construção civil”, avalia.

Classificação e normalização

Outro ponto que será bastante abordado no XV Ebramem é a questão da classificação. De acordo com professor Calil, a madeira apresenta muitas variabilidades e, por isso, é preciso classificá-la para diferentes utilizações, o que já está sendo feito. No encontro será feita a apresentação do formato final da nova norma de projeto de estrutura de madeira.

Sobre o assunto, Paulo Pupo lembra que a Abimci é a entidade gestora do Comitê Brasileiro da Madeira ABNT/CB-31 e reforça a importância da necessidade de normas técnicas para nortear a atuação das indústrias e garantir padronização e qualidade aos produtos.

“Assim, uma norma que defina claramente os parâmetros para o projeto de estruturas, principalmente de madeira de uso estrutural, será um importante avanço para o desenvolvimento do sistema construtivo wood frame”, garante.

Encontro em Curitiba

O Ebramem reúne, em cada edição, uma média de 400 participantes e recebe mais de 200 artigos técnicos. Para o 15º Congresso, a organização optou por Curitiba por ser uma cidade que sempre foi considerada a terra da madeira, com grandes indústrias e associações atuantes.

Para Calil, a expectativa é grande. “A capital paranaense é referência em madeira e tem uma cultura mais aberta em relação ao assunto. Também esperamos um grande entrosamento com os industriais da área”, afirma.

Everaldo Pletz ressalta que o Paraná tem uma parcela expressiva do Produto Interno Bruto (PIB) envolvida com madeira, mas ainda constrói pouco com madeira. “O Estado é um grande produtor, tem grandes indústrias eestá na vanguarda. Por isso, temos que ir de ponta a ponta nessa cadeia”, reforça.

Christine Laroca também destaca que Curitiba tem tradição em construções em madeira e lembra que a cidade tem duas universidades federais – UFPR e UTFPR – que realizam pesquisas na área. Ela espera que o evento seja um incentivo para que os cursos invistam em pesquisa e levem seus alunos para participar e conhecer o que tem sido feito no Brasil e no exterior. “O evento em Curitiba é uma grande conquista. Vamos tentar retomar a história do Paraná em relação à madeira. Vai ser um marco”, completa.

 

Por Maureen Bertol

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