Franceses de olho no Brasil

26 de Abril de 2016

Referência internacional na construção com madeira, Simonin abre escritório em Curitiba (PR)

Por acreditar no grande potencial brasileiro para evoluir na construção sustentável, a empresa francesa Simonin, que atua há mais de 50 anos neste mercado, abriu, em outubro de 2015, um escritório de trabalho em Curitiba (PR). A proposta é ampliar os horizontes e estar mais perto dos arquitetos, engenheiros e construtores para trabalhar em conjunto desde o início do projeto. A empresa tem uma única fábrica na França, que fica em uma cidade de 1.200 habitantes na divisa com a Suíça, e consome anualmente 20 mil metros cúbicos de madeira, tanto para fazer estruturas, quanto para produzir componentes para estruturas. Hoje, 40% do que é produzido pela Simonin é exportado para diversos países ao redor do mundo e no mercado francês a indústria é referência em construção com madeira.

Para Gustavo Lozano Côrtes, diretor técnico da empresa no Brasil, um investimento de uma empresa francesa no mercado brasileiro é um importante passo para mostrar as potencialidades da madeira e o que ela pode proporcionar. Ele lembra que é fundamental inovar com sustentabilidade e que isso só é possível se o mercado conseguir aumentar a utilização da madeira na construção civil, já que esse é um material sustentável e o futuro da construção.

Material popular em países da Europa ainda precisa ganhar espaço em terras brasileiras

Material popular em países da Europa ainda precisa ganhar espaço em terras brasileiras

Na Europa, culturalmente a madeira já é muito bem aceita pela população, de acordo com o diretor técnico da Simonin. Ele conta, ainda, que a França tem uma Lei que determina que 30% do material utilizado em uma obra de grande porte seja renovável e reciclável. “A madeira é o único material que se aplica perfeitamente nesse conceito, então temos tido uma demanda cada vez maior. Fazemos muitas obras públicas com madeira. Já construímos um local para o Corpo de Bombeiros, ginásio de esportes, prefeituras, escolas inteiras, tudo em madeira laminada colada. Mas aqui no Brasil o governo não tem consciência disso, que a madeira é o material do futuro. Estamos muito atrasados nesse sentido e temos que avançar”, avalia.

A fábrica da Simonin tem, atualmente, cinco máquinas de comando numérico, que são as mais modernas do mundo e foram desenvolvidas especialmente para a empresa. Uma delas é capaz de usinar vigas de até 40 metros de comprimento ou fazer vigas helicoidais, por exemplo. “Por isso a empresa mantém toda a produção em uma única unidade para fabricar todas as peças com bastante tecnologia. Assim, mandamos tudo pronto para a obra e otimizamos o processo”, explica Côrtes. Hoje, a capacidade produtiva de madeira laminada colada passa de mil metros cúbicos por mês e a Simonin tem obras na América do Norte, em países como Canadá e Estados Unidos, além de um grande mercado na África, na Ásia e na Oceania.

Empresa também realiza obras públicas com madeira

Empresa também realiza obras públicas com madeira

Fora da França, o único escritório está em Curitiba. O diretor técnico conta que estudava no país e já trabalhava na empresa quando a Simonin enxergou uma oportunidade de conhecer melhor o país e o mercado brasileiro. Segundo Côrtes, ter alguém que conhece as duas línguas e a técnica que foi ensinada na França pode ajudar a empresa a se desenvolver no Brasil. Desde que o escritório foi aberto, em outubro, a empresa francesa já teve bastante demanda por orçamentos e está trabalhando para desenvolver o primeiro projeto.

Cobertura de indústria executada pela empresa francesa

Cobertura de indústria executada pela empresa francesa

“Não viemos com metas e estamos focados em qualidade. O potencial aqui é enorme e, por isso, a empresa decidiu apostar no Brasil. Agora é hora de tentarmos quebrar o preconceito do brasileiro com relação à madeira e mudar a cultura que existe de que a madeira é somente para construção de casas de baixa renda. Precisamos demonstrar que a madeira é um material nobre e deixar claro todo o potencial que ela tem. Esse é um material que traz inúmeras possibilidades para quem sabe trabalhar”, declara o diretor.

Na avaliação de Côrtes, a tradição da indústria francesa na construção com madeira poderá ser uma boa forma de mostrar aos brasileiros o que pode ser feito e o que já é feito no mundo todo. Ele acredita que isso vai ajudar a mudar o mercado brasileiro com relação à madeira e lembra que esse é, também, um dos intuitos da Simonin. O plano da empresa no Brasil será o mesmo que já acontece em outros países do mundo: fechar negócio e trazer para a obra o que é produzido na fábrica da França. Questionado se os custos não inviabilizariam o projeto, o diretor técnico afirma que não, porque o valor do transporte, por exemplo, custa 2% do valor da obra, o que não influencia no preço final. O tempo para qualquer lugar do mundo gira em torno de três semanas, segundo Côrtes.

“Mesmo com a taxação e com todos os custos, conseguimos otimizar o processo e os procedimentos para ganhar no projeto. Por exemplo: construímos um aeroporto na Guiné Equatorial de seis mil metros quadrados, que foi montado por cinco pessoas em 11 semanas. Se pensarmos no tempo em que este aeroporto está funcionando a mais do que se tivesse sido construído pelo método convencional, paga-se a diferença de preço”, comenta.

Trabalho realizado pela Simonin

Trabalho realizado pela Simonin

Produtos

O principal produto comercializado pela Simonin é a madeira laminada colada de diferentes espécies e a matéria-prima vem de países como Suécia, Finlândia e Noruega, tudo com certificação do Forest Stewardship Council (FSC), organização independente que reconhece a produção responsável de produtos florestais. “A madeira desses países tem um crescimento mais lento e, por isso, é mais uniforme. Dessa forma, a incidência de defeitos é menor e eliminamos menos madeira no processo. Ao mesmo tempo temos uma madeira de qualidade com grande resistência. Também utilizamos outras madeiras que vêm da África ou da França, mas os principais fornecedores são os países nórdicos”, explica.

O diferencial da empresa, segundo Côrtes, é que os produtos vêm prontos e acabados, e na obra só precisam ser montados. Isso garante rapidez ao processo e evita o desperdício. O diretor técnico da Simonin conta que os colaboradores da empresa fazem o estudo de engenharia do projeto, o cálculo estrutural, o design da estrutura e a fábrica recebe as especificações para desenvolver o material. Depois, a madeira é colocada dentro de um container e transportada para qualquer lugar do mundo para ser montada.

Uso da madeira em cobertura de residência

Uso da madeira em cobertura de residência

No Brasil, a proposta da empresa é continuar no caminho que vem dando certo nesses 50 anos de história. “A madeira é um material heterogêneo. Se souber trabalhar, é possível fazer grandes coisas. De tanto acreditar nesse potencial brasileiro é que a empresa resolveu abrir um escritório aqui”, completa Gustavo Lozano Côrtes.

Por Maureen Bertol para o Portal Madeira e Construção

Fotos site Simonin: www.simonin.com

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