Indústria da construção espera retomada em 2019

6 de dezembro de 2018

Com a confiança em alta, empresários do setor em Curitiba e Região Metropolitana apostam na melhoria do ambiente de negócios e na ampliação do crédito

Novembro registrou um aumento importante no índice de confiança do empresário da construção civil, alcançando 60,7 pontos, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Há dois anos, o índice era de 36 pontos, o mais baixo na série histórica desde 2012.

O cenário nacional reflete as expectativas dos empresários de Curitiba e Região Metropolitana, no Paraná. De acordo com levantamento realizado pelo Sinduscon-PR (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná), a perspectiva é de que em 2019 sejam investidos R$ 1,4 bilhão, o que deve resultar em novos empreendimentos e na contratação de mão de obra na capital paranaense e região.

59% das 200 empresas ouvidas afirmam que o nível da atividade irá crescer. Os números mostram que o segmento mais otimista é o formado pelas incorporadoras. Além disso, 38% têm intenção de colocar no mercado novos lançamentos no próximo ano.

A pesquisa mostra ainda que 93% desses empresários pretendem contratar ou manter o número de funcionários. Seriam 5 mil novos empregos, segundo o presidente do Sindicato, Sérgio Luiz Crema, que atribui o otimismo à expectativa positiva em relação ao novo governo, a um melhor ambiente de negócios pós-eleições e a uma possível agenda de reformas como a da Previdência e a Tributária.

O aumento do volume de financiamentos no país em relação ao ano passado indica também um reaquecimento do setor. De acordo com os dados apresentados pelo Sindicato, os recursos da poupança com esse fim cresceram 26% quando comparado a 2017 e 3% os provenientes do FGTS.

O aquecimento dos negócios também deve ser estimulado pelo estoque baixo de unidades verticais em Curitiba. Na avaliação do vice-presidente da entidade, Marcos Kahtalian, a cidade tem espaço para novos empreendimentos em um curto prazo. A retomada das vendas iniciou no quarto trimestre de 2017, com uma média de mil novas unidades comercializadas a ao longo deste ano. “Devemos fechar o ano com perto de quatro mil unidades verticais vendidas, o que nos dá menos de dois anos de estoque”, afirma Kahtalian. Dos 1,8 milhão de metros quadrados de alvará liberados para construção em 2018, apenas 50% foram concluídos, o que pode sinalizar que, com crédito e compradores confiantes em investir, as empresas rapidamente poderão iniciar as obras.

Novos modelos de negócios e inovação

Apesar do financiamento imobiliário no Brasil estar baseado em dois modelos principais, recursos da poupança e do FGTS, novas opções estão no radar dos empresários. Uma delas é dos financiamentos coletivos, modalidade já utilizada, por exemplo, pela paranaense Tecverde para viabilizar a construção de prédios em wood frame em diferentes localidades do país.

Kahtalian lembra ainda de empresas que apostam em empreendimentos focados apenas no público de locação. São imóveis com uma área útil menor, voltada para estudantes, por exemplo, localizados em regiões próximas às universidades.

Outro ponto destacado pelos representantes do Sindicato como uma realidade nos negócios imobiliários está na inovação tecnológica. “O uso do BIM (Building Information Model) é uma prática cada vez mais comum nas empresas privadas e nos agentes públicos. Outra vertente são as construções sustentáveis, do ponto de vista energético e hídrico, além da infinidade de startups orientadas para a construção”, lembra Kahtalian.

Sobre o uso de sistemas construtivos industrializados, como o wood frame, por exemplo, o presidente do Sinduscon-PR afirmou que é uma tendência que veio para ficar. Ele cita como exemplo uma visita técnica realizada na Itália onde foi possível ver de perto o uso das tecnologias com madeira e afirmou que por aqui, também é um caminho viável e condiz com a necessidade do setor em reduzir a geração de resíduos e de tempo de construção ao adotar métodos industrializados, conferindo maior produtividade ao negócio.

São Paulo

Outra região do país que também divulgou os dados de perspectiva para o próximo foi o Estado de São Paulo. O SindusCon-SP estima que o Produto Interno Bruto (PIB) da Construção se elevará em 1,3% em 2019. Este resultado, porém, dependerá do crescimento de 2,5% do PIB nacional no próximo ano. Os dados foram calculados pela Fundação Getúlio Vargas a pedido do SindusCon-SP.

Para o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, “esta projeção leva em consideração o início de uma retomada neste segundo semestre e a expectativa de uma política econômica reequilíbrio das contas públicas, reforma da Previdência e desburocratização para empreender”.

Com base nos dados do PIB do terceiro trimestre divulgados pelo IBGE recentemente e alta de 0,7% na construção, o SindusCon-SP estima que o PIB da construção em 2018 deve fechar em -2,4%. Ainda segundo o IBGE, a taxa acumulada até setembro do PIB da construção é de -2,6%.

Apesar do cenário negativo, o ano indica uma leve melhora, com aumento nos lançamentos e vendas, redução de distratos, crescimento do crédito imobiliário e redução no número de demissões. “A retomada tem sido lenta, mas estamos progredindo”, acrescenta Romeu Ferraz.

Por Juliane Ferreira para o Portal Madeira e Construção
Foto Pixabay

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