“Industrialização deve permitir a customização dos projetos em madeira”

24 de Maio de 2019

Para o presidente do Núcleo da Madeira, o arquiteto Marcelo Aflalo, é preciso indicar o futuro que queremos para a construção. Customização seria possível a partir da oferta de componentes em madeira   

“A indústria do concreto está num ponto limite”. O alerta é também uma oportunidade para a cadeia florestal brasileira. “Temos capacidade de rivalizar com técnicas convencionais. Não há mais areia para concreto e construção na China, por exemplo. A indústria da construção civil é a de maior impacto do planeta (água, emissão de CO2), mais de 45% desse impacto. Por isso, a saída é procurar novos materiais, combinar soluções, resultando em processos mais econômicos e eficientes”, defende Marcelo Aflalo, arquiteto e presidente do Núcleo da Madeira. Segundo Aflalo, no Brasil, são gastos 30% no projeto e 70% na obra refazendo, consertando, gerando um desperdício de 35%.
Para o especialista, que participou do evento Da Muda à Madeira, promovido pela Famasul e Senar-MS, em Campo Grande, nesta sexta-feira, 24, a industrialização deve permitir a customização, que pode acontecer por meio dos componentes.

Aflalo lembrou que apesar desse assunto ser novo no Brasil, é algo consolidado em países como os Estados Unidos. A primeira indústria de wood frame norte-americana, por exemplo, surgiu em 1833, com residências que ainda permanecem em pé até os dias de hoje. Já em 1942, os americanos iniciaram a produção de componentes para uso em habitações variáveis.

A fabricação de componentes é inclusive, indicada pelo presidente do Núcleo, como uma oportunidade para as indústrias brasileiras. Além das madeiras engenheiradas já produzidas hoje – Paralllel strand lumber, vigas laminadas pregadas, vigas laminadas coladas e CLT – novos produtos estão sendo pesquisados para solução como painéis completos, módulos integrados, sistemas de contraventamento, lajes, cobertura, fundações, ligações, diferentes formas de montagem de piso, entre outros. Aflalo lembrou que a iniciativa privada está tomando a frente nas pesquisas. Nos Estados Unidos, recentemente, um escritório de arquitetura desenvolveu um modelo de laje, ensaiaram e modificaram a legislação. “Não se pode esperar apenas o poder público agir”, afirmou.

“Não se trata apenas de matéria prima, temos que indicar o futuro que queremos”, afirmou Aflalo. Exemplos de novas formas de construir com madeira foram apresentados pelo arquiteto, como os módulos empilhados no Canadá para as Olimpíadas, na década de 1960, ou os mais atuais como as casas modulares da japonesa Muji.

Por Juliane Ferreira para o Portal Madeira e Construção (A jornalista viajou a convite do Senar-MS)
Foto projeto Muji Hut

 

 

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