Inovação e criatividade na construção com madeira

24 de Maio de 2016

Arquiteto japonês ganhou, em 2014, o maior prêmio de arquitetura do mundo – Pritzker – por utilizar produtos e sistemas que estejam em harmonia com o meio ambiente

 

O arquiteto japonês Shigeru Ban já é conhecido no mundo por inovar na escolha dos materiais não convencionais para a construção de seus projetos, como papelão, plástico e tecido, por exemplo. A principal característica do arquiteto é a busca por construções de baixo impacto, com menor custo de execução, estruturas leves e utilizando materiais descartáveis. O grande reconhecimento veio em 2014, quando o arquiteto foi o vencedor do Pritzker, o maior prêmio de arquitetura do mundo. O projeto que rendeu a homenagem foi o do Aeroporto Monte Fuji Shizuoka, no Japão, que trouxe madeira aparente como um dos materiais construtivos. O terminal de passageiros do aeroporto terá oito arcos construídos com madeira laminada encaixada e as paredes serão de vidro.

Para justificar a escolha, os jurados do Pritzker lembraram que “para Shigeru Ban, a sustentabilidade não é um conceito para acrescentar após os fatos, mas sim, é um fator intrínseco à arquitetura. Suas obras se esforçam para encontrar produtos e sistemas adequados que estão em harmonia com o meio ambiente e o contexto específico, o uso de materiais renováveis e produzidos localmente, sempre que possível”.

Com relação ao uso da madeira, são muitos os projetos assinados pelo arquiteto Shigeru Ban que utilizam esse tipo de material. Em 2010, ele projetou a filial do Centro Georges Pompidou, na cidade de Metz, na França, trazendo a ideia de edificação de madeira fechada lateralmente com vidro. Ele também utilizou a estrutura de madeira ondulante no projeto. A construção levou seis anos para ficar pronta e o profissional conta que teve de “provar que a estrutura de madeira sairia mais barata e teria baixo impacto ambiental, pois muitos defendiam que trocássemos o material por aço”.

Centro Georges Pompidou, na cidade de Metz, na França

Centro Georges Pompidou, na cidade de Metz, na França

Três anos mais tarde, Ban criou o edifício de escritórios Tamedia, em Zurique, na Suiça, utilizando um sistema estrutural de madeira trançada, sem nenhum tipo de peça metálica nas juntas. Para unir os elementos estruturais, Ban optou por utilizar pinos especiais, fabricados com madeira de Haya, deixando de lado os pregos, parafusos ou conexões de aço. Segundo o arquiteto, esses pinos servem tanto para a transmissão de cargas, como de reforço para outros elementos estruturais. O prédio tem sete andares, é totalmente envidraçado e foi projetado para conseguir um baixo nível de transmissão de energia, seguindo as normas suíças, que são extremamente rígidas com relação ao consumo de energia.

edifício de escritórios Tamedia, em Zurique, na Suiça

edifício de escritórios Tamedia, em Zurique, na Suiça

O portal suíço Swiss Info fez, na época, uma entrevista com o arquiteto para falar sobre o projeto do edifício Tamedia. Questionado sobre as vantagens da madeira do ponto de vista ecológico, Ban disse que “uma construção em madeira provoca muito menos barulho do que um canteiro de obras em concreto ou metal. Se comparamos os processos de fabricação, as emissões de CO² para a madeira são muito inferiores do que as do metal (um terço) e do concreto (metade). E a madeira é a única matéria renovável. O concreto e o metal são matérias limitadas e um dia vão acabar”.

Sobre o grande mito que cerca a madeira, o perigo de incêndio, ele disse que “a madeira é uma matéria difícil de queimar. Claro que ela pega fogo rapidamente, mas a madeira grossa não pode ser queimada tão facilmente. A superfície da madeira carbonizada protege o cerne. Aliás, o carvão é frequentemente utilizado para proteger contra incêndio”.

Além das construções com madeira, Shigeru Ban tem em seu portfólio grandes obras associadas a catástrofes climáticas: ele projetou uma igreja escorada por colunas de papelão em Kobe, no Japão, depois de um terremoto que destruiu a cidade, e refez a Christchurch, na Nova Zelândia, após um abalo sísmico ter feito a estrutura da igreja desabar. Ele utilizou nessas construções conglomerados de celulose, cobertos de cola para se tornarem impermeáveis.

 

Por Maureen Bertol para o Portal Madeira e Construção

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