Intervenção urbana em madeira? É o que propõem estudantes paranaenses

4 de Maio de 2018

Projeto vencedor no Prêmio Ibramem, “Entre” usa o CLT para criar passagens estruturadas em terrenos subutilizados no centro de Curitiba

Dois jovens estudantes de Arquitetura, que estão finalizando o curso na Universidade Federal do Paraná (UFPR), desenvolveram um projeto que uniu o uso da madeira, especificamente os painéis de madeira laminada cruzada (CLT) e intervenção urbana, em espaços ociosos no centro de Curitiba. O resultado? A ideia foi a grande vencedora na categoria estudantes do Prêmio Ibramem Amata 2018.

Os premiados foram divulgados no mês de março, dentro do XVI EBRAMEM (Encontro Brasileiro em Madeiras e Estruturas de Madeira) e do III Congresso Latino-americano de Estruturas de Madeira, realizados em São Carlos (SP). A iniciativa tem como objetivo estimular a utilização da madeira na arquitetura, tanto entre profissionais e estudantes, de forma nobre e sustentável. Neste ano, o concurso tinha a proposta de implantação de um equipamento urbano de pequena escala.

O projeto vencedor da categoria estudantes foi desenvolvido pelos estudantes Daniela Moro e Gabriel Hildebrand Tomich, que estão cursando o 9º e 8º período do curso de Arquitetura da UFPR, respectivamente. A orientação foi da professora Marina Millani Oba. Como prêmio, os alunos vão para a Semana da Madeira no Chile, no mês de agosto.

Estudantes Daniela Moro e Gabriel Hildebrand Tomich

Projeto
A inovação do projeto já começa pelo nome: “Entre”. A palavra sugere vários sentidos, e é exatamente isso o que a proposta sugere: ocupação de espaços ociosos em plena área central e movimentada de Curitiba (PR), entre diferentes tipos de construções, e que, ao mesmo tempo, sirva de passagem para pedestres e outras atividades.

Esta passagem aconteceria por meio de um grande módulo, montado a partir de blocos de CLT nas dimensões de 10×4. Mas o grande objeto não precisaria ter “a mesma cara” em todo o lugar onde seria instalado. Uma parte da extensão deste módulo fica livre para a passagem, para a circulação; a outra, concentrada para outros usos, como guarda-volumes, bicicletários, banheiros ou área de descanso, por exemplo. A ideia é deixar a estrutura pré-fabricada e apenas montá-la nas áreas escolhidas.


Os estudantes criaram um sistema no qual as dimensões e a técnica construtiva permanecem constantes, mas o uso se tornaria variável. “Percebemos que era mais interessante elaborar um catálogo de possibilidades de usos. Com as mesmas dimensões e com a mesma estrutura, você pode variar”, considera Gabriel, em entrevista exclusiva ao portal Madeira e Construção, juntamente com Daniela.

“Tiramos proveito do sistema construtivo para criar um espaço que, com as mesmas dimensões, pudesse mudar o espaçamento entre os elementos estruturais, mas continuava desempenhando a mesma função estrutural no conjunto”, analisa a estudante.

Conceito
A ideia de Daniela e Gabriel foi desenvolvida e aperfeiçoada exclusivamente para concorrer ao prêmio. Em 2017, eles haviam visto o aviso de inscrição, mas não conseguiram aproveitar a oportunidade. Desta vez, não perderam a chance, inclusive de pensar “fora da caixa” em relação ao equipamento urbano, como propunha a premiação.

“A gente viu no tema da premiação uma oportunidade de ir além dos equipamentos urbanos que normalmente nos vêm à cabeça, como objetos, e pensar como um sistema de vários equipamentos. Mesmo em uma arquitetura de pequena escala, que pudesse ter o potencial de uma intervenção urbana”, explica Daniela. “E, além de ser uma intervenção, ser um espaço de passagem convidativo para a pessoa vivenciar a cidade”, salienta.

Para Gabriel, o centro da cidade imprime um significado importante ao projeto. “A gente entende o centro como um lugar em que a passagem é uma atividade importante. E o centro de Curitiba, especificamente, tem o potencial de ser muito mais conectado e livre para ser percorrido do que é hoje”, comenta.

A partir disso, os dois estudantes começaram a procurar espaços na região central, especialmente lotes não utilizados ou subutilizados que podem configurar o sistema concebido no projeto. Eles mapearam várias áreas que podem ser atravessadas pelos pedestres no meio das quadras, cruzando estes terrenos, sem a necessidade de dar a volta nas quadras.

Uma das propostas, por exemplo, é aproveitar áreas de estacionamento – associadas a uma praça ou uma rua importante, por exemplo – e colocar, em parte do terreno da empresa, o “corredor” de passagem de pedestres e outros tipos de usos. Desta maneira, podem-se unir duas utilidades teoricamente antagônicas.

“Inclusive, a passagem com o uso da estrutura surge a partir do momento que se agrupa os módulos. Isso dá inserção urbana. Quem escolheu os lotes de uma rua para outra, mas que atualmente não podem ser usados pelos pedestres porque contêm estes usos privados de estacionamento, poderia ter esse equipamento que permite atravessar estas quadras”, completa Daniela.

Por Joyce Carvalho para o Portal Madeira e Construção

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