Gestão de resíduos da madeira

2 de Março de 2016

Reutilização é apontada como melhor caminho para destinação da madeira

 

A destinação correta de resíduos não é uma demanda apenas da sociedade. Passa também pelo cumprimento da legislação ambiental vigente. No caso da madeira tratada, por exemplo, são utilizados no mercado cerca de dois milhões de metros cúbicos do produto por ano. A madeira passa por um processo industrial de tratamento, amparo por lei e regulamentações específicas. Este tipo de material, após a sua utilização em determinada etapa, necessita de uma destinação correta.

O presidente da Associação Brasileira de Preservadores de Madeira (ABPM), Flávio Geraldo, comentou que é preciso lembrar ainda que, dentro de uma obra, é possível existir madeiras de diferentes tipos de uso e para vários tipos de produtos. Por isto, é importante a identificação correta para fazer a melhor destinação. “Tem que haver um processo educativo no sentido de já haver a segregação durante o processo de geração de resíduos. Assim fica mais fácil. Estamos longe disso, infelizmente, mas já descobrimos os caminhos”, avaliou Geraldo durante a palestra “Normas legais de destinação de resíduos de madeira tratada”, ministrada durante o III Simpósio Madeira e Construção, realizado em agosto de 2015.

A destinação correta deste tipo de material está prevista em legislações estaduais e municipais. Ainda há a regulamentação pela Portaria Interministerial PI 292 e instrução normativa IN 05. “A resolução 307 do Conama é o grande ponto de partida, mas também temos um grande apoio das normas da ABNT, como as normas 10004, 10005, 10006 e 10007”, salientou Geraldo.

O melhor caminho para a destinação da madeira tratada é a reutilização, tanto em desconstrução quanto em sobras. Existe ainda a opção para reciclagem, mas este já é um passo considerado mais avançado por Geraldo. A recuperação energética e os aterros licenciados também são alternativas dentro da destinação de resíduos.

Iniciativa
A Prefeitura de Curitiba está instalando Estações de Sustentabilidade, que consistem em estruturas específicas para o recebimento de resíduos recicláveis. Existem diferentes tipos de estações e em uma delas é possível receber resíduos da construção civil e resíduos vegetais. Esta ação faz parte de uma cooperação maior entre administração municipal, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), sindicato da construção civil, operadores de resíduo e indústrias recicladoras.

“Temos 800 mil toneladas de resíduos de madeira que não têm mais uso e que agora são um problema. Custa para a cidade R$ 600 mil reais por mês para cuidar do aterro da Caximba, por exemplo. Por isso, a visão da sustentabilidade tem que estar presente e precisamos encontrar alternativas de reuso de materiais”, salientou o secretário municipal de Meio Ambiente, Renato Eugênio Lima, também durante o III Simpósio Madeira e Construção.

Regras
Entre as normas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Curitiba para a destinação de resíduos de madeira estão:
– Reuso de peças para fabricação de produtos e móveis de madeira, principalmente de madeira de lei;
– Reuso ou reciclagem da madeira no canteiro de obras (sinalização, caixaria, espaços para resíduos ou materiais);
– Utilização como lenha em olarias, panificadoras e lavanderias, desde que as atividades estejam licenciadas e que a madeira não possua contaminantes;
– Reciclagem transformando em biomassa para uso como combustível;
– Produção de briquetes.

As madeiras contaminadas (pintura, fórmica, adesivo, cola e resina, por exemplo) só podem ser queimadas em fornos com controle de emissão de gases e que operam em temperatura acima de 800°C.

Por Joyce Carvalho para o Portal Madeira e Construção

 

 

 

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