Madeira plantada na construção reduz emissão de CO²

8 de Abril de 2016

Conclusão faz parte de pesquisa de arquiteta brasileira

Uma tese de doutorado, desenvolvida pela pesquisadora e arquiteta brasileira Kátia Punhagui, revelou que o uso da madeira plantada na construção civil pode ser uma ótima estratégia para mitigar a emissão de CO². Para chegar a esse resultado, a pesquisadora analisou o business as usual, olhando para a habitação e levando em conta o número de casas construídas com madeira. Se duplicasse a quantidade do que é construído hoje utilizando a madeira de floresta plantada, seria possível diminuir entre 13 e 22% a emissão do CO². “Isso ocorre, porque a madeira plantada é considerada neutra em carbono, pois absorve previamente o carbono que será emitido ao longo do seu ciclo de vida, não variando o balanço final de carbono na atmosfera”, explica a pesquisadora.

Muitos países estão atentos a isso. É o caso de Alemanha, França, Japão e Rússia, que vêm incentivando o emprego da madeira por questões ambientais, como a mitigação das emissões de CO² e diminuição do consumo de energia na construção civil.

Para justificar o estudo, Kátia lembra que o Brasil tem a segunda maior superfície florestal do mundo e, do total, 70% tem potencial produtivo, divididos em duas fontes de madeira, a de floresta nativa e a de floresta plantada. O método utilizado foi o de avaliação do ciclo de vida, que é uma compilação e avaliação das entradas e saídas e dos impactos ambientais potenciais de um sistema de produto ao longo do seu ciclo de vida, desde a plantação, passando pela extração e a produção, chegando ao produto final. A pesquisa analisou dois impactos: a emissão de CO² e a emissão de resíduos, tanto na madeira nativa, quanto na madeira plantada.

A madeira nativa vem, basicamente, da região Norte, a chamada Amazônia Legal, e produz entre 150 e 500 toneladas de biomassa seca por cima do solo, além de uma média de 35 metros cúbicos de madeira por hectare. Estima-se que existam mais de 11 mil espécies, mas entre 60 e 80 são comerciais e somente 40 estão catalogadas. Para extrair a madeira de forma legal, existem duas formas: manejo florestal ou supressão autorizada. De toda a madeira nativa, metade vem de manejo e a outra metade de supressão. A produção ilegal gira em torno de 50% e, desse percentual, sai 1,4 e 4,8 toneladas de resíduos de biomassa por tonelada de tronco extraído.

No caso da madeira plantada, as produções mais concentradas estão no Sul e Sudeste, com os plantios de pinus e eucalipto. No mercado interno são consumidos 182 milhões de metros cúbicos. Desse número, apenas 26% são destinados para a construção civil em diversos produtos.

Diante desses dois cenários, a pesquisadora comparou a madeira plantada e a madeira nativa proveniente de extração seletiva convencional, já que não há garantias que a madeira que está sendo vendida seja mesmo proveniente de manejo.

Para chegar até o consumidor final, a madeira nativa percorre, em média, 4.500 quilômetros, e a maior distância está entre a serraria e o beneficiamento. Já a madeira plantada percorre um caminho menor, porque as zonas de produção estão mais próximas das zonas de consumo. A média é de 1.760 quilômetros até o consumidor. Esse dado, segundo Kátia, também foi muito importante na pesquisa, porque afeta diretamente na emissão de CO² e no consumo de energia.

Outro grande problema encontrado na floresta nativa foi o resíduo, pela própria morfologia da árvore. A floresta milenar é um estoque de carbono, mas quando a madeira é retirada e os exploradores não a deixam se reestruturar, o carbono foi retirado, o processo produtivo gerou resíduo e o carbono acabou chegando até a atmosfera. No caso da madeira plantada, primeiro absorve-se o CO², que vai sendo emitido ao longo do ciclo de vida. Como a madeira está próxima do mercado consumidor, é possível também aproveitar os resíduos, o que ajuda a diminuir a pressão pelo uso de outros combustíveis.

“A única ressalva neste ponto com relação à madeira plantada seria o consumo energético, porque 80% do consumo estão na fase de processamento por causa da estufa. Mas este não é um problema tão grande, porque se utiliza o próprio resíduo para a estufa, então acaba sendo um ciclo fechado. No caso da madeira nativa, ela está longe do consumidor e o frete pode ser caro, então o aproveitamento do resíduo fica inviável e não tem mercado”, ressaltou Kátia.

A pesquisa foi desenvolvida por Kátia entre a Universitat Politecnica de Catalunya (Barcelona) e a Universidade de São Paulo (USP).

Por Maureen Bertol para o Portal Madeira e Construção

 

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