Métodos de ensaio para estrutura de madeira em debate

15 de Março de 2016

Pesquisadores elaboraram métodos de ensaio complementares que pretendem garantir cumprimento da NBR 7190

Uma comissão formada por pesquisadores está elaborando projeto de métodos de ensaio complementares à NBR 7190, que deverão ser colocados para votação ainda neste ano. A meta é que, se aprovados, os ensaios passem a compor a norma brasileira da ABNT que determina as condições para um projeto em estruturas de madeira. Apesar de uma renovação da norma ter sido aprovada em 2011, especificando condições gerais, ela não está em vigor exatamente porque não haviam sido desenvolvidos e avaliados estes métodos, capazes de garantir o cumprimento das especificações da NBR.

Com o novo trabalho, afirma o especialista no segmento e professor da Universidade Federal de São Carlos, Carlito Calil Júnior, haverá condições para a aplicação prática da norma. As propostas, que foram elaboradas de forma conjunta com o setor produtivo, já estão prontas e foram apresentadas durante o XV Ebramem (Encontro Brasileiro em Madeiras e em Estruturas de Madeira), realizado em Curitiba (PR) entre os dias 09 e 11 de março. As propostas deverão ser colocadas para consulta pública. A expectativa é de que sejam votadas ainda neste ano.

Segundo o professor Carlito Calil Júnior, com o novo trabalho haverá condições para a aplicação prática da norma

Segundo o professor Carlito Calil Júnior, com o novo trabalho haverá condições para a aplicação prática da norma

A nova proposta oferece cinco métodos de ensaio que deverão ser aplicados conforme as determinações da norma e que resultam em três classes de resistência de madeira para uso estrutural.  Com isso, segundo Calil, será possível ao especificador ter mais segurança para indicar o material que deverá ser usado em função das necessidades estruturais. Isso também indicará uma responsabilidade maior por parte dos fornecedores, que serão os responsáveis por classificar a madeira, que deverá garantir as condições de segurança indicadas para aquele padrão.

Espera-se que, com a entrada em vigor da nova NBR, o uso da madeira possa se tornar mais popular e que os profissionais se sintam mais confortáveis para realizar seus projetos, obtendo as diversas vantagens que o material oferece. De acordo com o professor, todas as propostas estão sendo elaboradas em conjunto com as empresas e os métodos são simplificados.

“Todos os trabalhos que desenvolvemos conversamos com a indústria. Aliás, este método só será aprovado se passar pela indústria, porque dentro da normatização brasileira, as normas são aprovadas por três elementos. A universidade, que é neutra, os consumidores e as indústrias. Não adianta ser realizado um trabalho que esteja completamente fora da realidade nacional”, explicou.

Segundo o pesquisador, os métodos que estão sendo propostos estão baseados em normas internacionais e estão direcionadas às indústrias, garantindo que seja possível oferecer um resultado aplicável e seguro, por empresas de todos os tamanhos.

Conheça a seguir, de forma resumida, quais os métodos de ensaio propostos pela comissão: 

Métodos de ensaio de classificação visual e mecânica 

Esse método deverá ser aplicado para madeira com origem em floresta plantada destinada a uso estrutural. Nesse caso, a classificação, hoje realizada apenas de forma amostral em cada lote, seria mantida para espécies folhosas e passa a ser peça a peça no caso das coníferas, onde deverão ser avaliadas as propriedades para desempenho estrutural, presença ou ausência de defeitos e posição do defeito.

O método propõe três classes de madeira com base em uma análise visual, que identifica defeitos e posição, e também de testes de propriedades mecânicas, a partir de equipamentos simples, que irão avaliar a densidade, resistência e rigidez. O método já conta com um programa experimental realizado em parceria com a Berneck que classificou 2,6 mil vigas de pinus, para validação.

Métodos de caracterização de corpos de prova isentos de defeitos

Testes realizados para determinação de propriedades mecânicas como resistência, resistência à tração, resistência à flexão, entre outras. Neste caso, a proposta, que se aplica exclusivamente para espécies tropicais de madeira permanece essencialmente iguais aos métodos que já integram o anexo B da NBR 7190.

As duas mudanças propostas dizem respeito à redução de um dos ciclos dos ensaios de compressão.  A alteração está sendo proposta porque os pesquisadores chegaram à conclusão de que os resultados são estatisticamente semelhantes entre o segundo e terceiro ciclo, tornando o último desnecessário. Com a redução, ganha-se tempo na classificação e reduz-se os custos dos ensaios.

Há ainda uma alteração técnica no teste de embutimento, quanto à considerada formaça máxima. De acordo com a nova proposta, a força máxima será aquela que provoca embutimentos de cinco mílimetros.

Madeira serrada para uso estrutural – valores característicos de classe de resistência

A proposta, baseada na diretriz de qualidade ISO 13910 também busca estabelecer que a madeira de pinus passe por uma classificação de todas as peças, utilizando gabaritos ou scanner, para determinar suas características para uso estrutural.

São propostos então ensaios para avaliar a rigidez à flexão (com apoio em quatro pontos), tração paralela às fibras, compressão paralela às fibras, resistência ao cisalhamento paralelo às fibras, resistência à tração perpendicular às fibras e compressão e rigidez normal às fibras. O detalhamento dos ensaios consta da proposta que deverá ser colocada em breve para consulta, e receberá a avaliação e sugestões da sociedade.

Princípios gerais para a determinação de resistência e da deformação de ligações mecânicas

Este método busca especificar as condições e propriedades para as ligações mecânicas utilizadas em estruturas de madeira. Baseada na norma internacional de qualidade ISO 6891, o estudo apresenta informações gerais e ressalta que caracteristicas específicas destes mecanismos deverão ser desenvolvidas em normas posteriores.

O método propõe avaliar o deslizamento e deformação da madeira quando submetida às ligações com pinos e faz ainda sugestões de medições em diferentes arranjos para essas ligações.

Métodos de ensaio para elementos estruturais de madeira laminada colada

Os métodos propostos pela comissão visam avaliar a delaminação, com ensaios com controle de temperatura ou em temperatura ambiente com vários ciclos, adequados ao tipo de uso da estrutura: interior ou exterior, sendo o último testes mais agressivos em função das condições que serão enfrentadas pelo material.

Os testes propostos visam verificar, entre outras características, o nível da colagem da peça, a resistência das emendas por união dentadas (fingerjoint) e medição da quantidade de adesivo espalhado na peça, para verificação se as condições de produção estão de acordo com as estabelecidas pelo fabricante do produto.

Por Karla Losse Mendes para o Portal Madeira e Construção

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