Moradia estudantil no Tocantins recebe um dos prêmios de arquitetura mais prestigiados do mundo

22 de novembro de 2018

Riba International Prize foi concedido ao projeto das moradias para estudantes entre 13 e 18 anos da Escola da Fazenda Canuanã, na zona rural de Formoso do Araguaia – a madeira faz parte da estrutura

O projeto da moradia estudantil da Escola da Fazenda Canuanã, na região de Formoso do Araguaia, em Tocantins, foi o grande vencedor do Riba International Prize, um dos principais prêmios da arquitetura mundial. O resultado foi revelado no último dia 20 e agraciou o trabalho realizado em conjunto pelos profissionais do escritório Aleph Zero e pelo arquiteto Marcelo Rosenbaum. O prêmio é concedido pelo Royal Institute of British Architects (Riba) para projetos de arquitetura inovadores e com impacto social significativo.

(Fotos: Leonardo FInotti / Diego Cagnato / Galeria Experiência)

A moradia estudantil recebe 540 dos 800 alunos da escola, de 13 a 18 anos. Eles ficam no local porque teriam de percorrer grandes distâncias para estudar, o que inviabilizaria a formação para muitos deles. É uma escola em regime de internato mantida pela Fundação Bradesco há cerca de 40 anos.

Recentemente, houve o desafio para uma remodelagem da moradia estudantil, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos alunos e, como consequência final, impactar positivamente o desempenho educacional de todos.

(Fotos: Leonardo FInotti / Diego Cagnato / Galeria Experiência)

Já existia um alojamento estudantil, mas os internos não consideravam o espaço como uma casa. Encaravam que moravam na escola. Os profissionais convidados a participar do projeto de uma nova moradia estudantil envolveram os próprios adolescentes e a comunidade para mudar isto, para “potencializar a ideia de pertencimento dos alunos a Canuanã. Desmistificar o status da escola como espaço somente de aprendizado e transformá-la em um território com valor de lar”, segundo os profissionais do Aleph Zero.

(Fotos: Leonardo Finotti / Diego Cagnato / Galeria Experiência)

Entre as mudanças aplicadas está o tamanho dos quartos – cada dormitório passou de 20 beliches com 40 alunos para três beliches com seis alunos. “Com este ato de redução do número de crianças por quarto, pretendemos melhorar a qualidade de vida das crianças, sua individualidade e, por consequência, seu desempenho acadêmico”, aponta a equipe do Aleph Zero. Ao lado dos dormitórios estão os espaços de convívio, como a sala de TV, área de leitura, varandas e pátios.

(Fotos: Leonardo Finotti / Diego Cagnato / Galeria Experiência)

Além disto, as novas vilas das moradias (são duas: uma masculina e outra feminina) ficam mais distantes da escola. Segundo o Aleph Zero, elas estão localizadas em “pontos estratégicos que guiam o novo crescimento da fazenda, organizando o território e possibilitando uma melhor leitura espacial e funcional da escola”.

(Fotos: Leonardo Finotti / Diego Cagnato / Galeria Experiência)

Estruturalmente, a nova moradia reuniu diversos materiais e tecnologias sustentáveis. Houve a junção de técnicas locais, técnicas vernaculares e um novo modelo de habitação sustentável. As vilas foram construídas com Madeira Laminada Colada (MLC), que permite a fabricação de peças de grandes dimensões. Os produtos de madeira tiveram origem em florestas plantadas em áreas de recuperação. Segundo Marcelo Rosenbaum, em seu material de divulgação sobre o projeto, a MLC “possibilita curvas, seções variáveis e avanços que aumentam muito o campo de aplicação de madeira na construção”. A moradia estudantil também tem em sua estrutura tijolos de adobe (barro), além de uma grande cobertura metálica, que gera uma sombra generosa.

(Fotos: Leonardo Finotti / Diego Cagnato / Galeria Experiência)

O espaço é todo vazado, sem paredes ou vidros. As divisórias são feitas de madeira, à meia altura, para facilitar a ventilação. As paredes aparecem apenas nas áreas dos dormitórios. Elas são mais espessas, feitas com tijolo aprimorado a partir do adobe, que influencia na troca de temperatura com o ambiente externo. Estas foram escolhas para ajudar os moradores em um local onde faz muito calor.

(Fotos: Leonardo Finotti / Diego Cagnato / Galeria Experiência)

Mais informações podem ser obtidas clicando aqui e também aqui.

Por Portal Madeira e Construção com informações da BBC Brasil, do site Marcelo Rosenbaum e do Aleph Zero

 

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