Novas espécies florestais prometem melhorar qualidade da madeira

27 de setembro de 2017

Pesquisa realizada no Paraná resulta em árvores à prova de geada

Uma parceria entre a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Embrapa Florestas e Emater resultou no desenvolvimento de 25 espécies florestais adaptadas a regiões de ocorrência de geadas ou próprias para integração silvipastoril (floresta-pecuária). Os estudos foram conduzidos na fazenda experimental da UFPR e em 14 propriedades rurais de União da Vitória, uma das regiões mais frias do Estado do Paraná.

A pesquisa oficial é importante, principalmente, para os pequenos e médios produtores, que não acessam com facilidade as novas espécies e híbridos (a partir do Eucalyptus benthamii, por exemplo), já conhecidos de grandes empresas e grupos florestais. “Com essas novas espécies e com híbridos melhor adaptados podemos garantir uma qualidade maior e, também, mais renda para os produtores”, afirma Amauri Ferreira Pinto, coordenador de produção florestal da Emater Paraná. O pesquisador alerta para que os interessados sempre procurem a Emater, que poderá indicar viveiros de confiança, evitando assim o investimento em mudas de procedência duvidosa.

Para o professor Alessandro Camargo Angelo, do Departamento de Florestas da UFPR, um dos tabus que ainda precisam ser quebrados é o de que uma espécie ou é “economicamente viável” ou é “ambientalmente adequada”. “Esse problema não existe, dá para ser as duas coisas”, diz Angelo, que destaca inclusive o potencial das araucárias para cultivo comercial, que esbarra, atualmente, numa legislação ainda muito inflexível.

Tradicional região de cultivo florestal de pinus taeda e ellioti e eucalipto dunni, o Paraná responde por 40% das exportações brasileiras de floresta plantada, mas, mesmo assim, consome matéria-prima de outros Estados, já que o déficit produtivo é de 600 mil hectares. “Como não existem áreas sobrando, precisamos buscar formas de produzir madeira além dos maciços florestais, e a integração com a pecuária é um caminho interessante”, destaca Amauri Ferreira Pinto. “Temos solo, clima e tecnologia. O desafio agora é fazer chegar essa tecnologia até o produtor”, acrescenta.

Conheça as espécies pesquisadas:

Criptomeria japonica: árvore conífera do Japão que pode chegar aos 50 metros de altura, cresce bem em solos profundos e bem drenados. A madeira tem boa qualidade para desdobro e movelarias. Ciclo, no Paraná, entre 16 e 25 anos, com desbastes intermediários a partir dos 12 anos (quando do espaçamento tradicional de 2X3 metros). Testes em sistemas silvipastoris serão iniciados ainda neste ano.

Cunninghamia lanceolata: Também conhecida como pinheiro chinês, trata-se de árvore de grande porte, madeira com boa qualidade para desdobro e movelarias. Apresenta desenvolvimento inicial lento, mas pode chegar a 50 metros de altura. Espécie pouco exigente em solos, madeira leve, contudo com boa resistência ao apodrecimento e a insetos.

Eucalipto híbrido uroglobulus: espécie que rende tanto para produção de madeira como para extração de óleos essenciais de uso medicinal. Deve ser plantada em solos bem drenados e profundos, produzindo rebrotas vigorosas para a colheita das folhas, utilizadas em infusões terapêuticas.

Araucaria angustifolia: O cultivo do pinheiro do Paraná voltado à produção de pinhões, ou seja, como árvore frutífera, é mais rentável para os pequenos produtores rurais do que o manejo para a produção de madeira. A Embrapa Florestas oferece cursos a viveiristas, principalmente, para repassar tecnologia de seleção de árvores matrizes e enxertia. Alguns viveiros já têm disponibilidade de mudas, mas os preços ainda são altos. O governo do estado desenvolve projeto para implantação de 40 unidades demonstrativas, em propriedades de pequenos produtores rurais, para difusão da atividade.

Por Portal Madeira e Construção com informações da Gazeta do Povo
Foto leafland

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