Prédio de quatro pavimentos é meta da Tecverde para 2016

6 de Março de 2016

Apesar da expectativa de aumento do uso da madeira na construção, executivo diz que falta parceria por parte da base florestal

 

Um prédio de quatro pavimentos construído em wood frame. Esta é a meta da Tecverde, empresa curitibana voltada para a construção sustentável, para 2016. O projeto para o empreendimento já está pronto e a meta é executá-lo ainda neste ano. A utilização desta tecnologia para este fim está em processo de homologação junto ao Ministério das Cidades. A Tecverde aguarda a liberação da documentação para financiamento por parte do governo federal.

“Já temos alguns prédios executados de três pavimentos e agora pretendemos conseguir esta aprovação para produção em escala. Acreditamos que, como executar uma simples casa com a nossa tecnologia no passado e aprovar no banco foi um desafio, o prédio será o nosso próximo desafio”, comenta Caio Bonatto, um dos fundadores e sócios da Tecverde. “Tecnicamente ele está resolvido. O desafio está em finalizar a homologação dentro do Ministério das Cidades e deixar todos os órgãos competentes confortáveis quanto ao desempenho deste edifício”, salienta.

Acontecendo isso, haverá mudanças no mercado da construção civil, que vem tendo o desafio de se tornar cada vez mais sustentáveis em diferentes níveis. Bonatto ressalta que as construtoras precisarão ser eficientes para poderem se manter no mercado. E apenas com tecnologia é possível melhorar o desempenho destas empresas.

“É preciso inovar de uma maneira mais radical. Não defendo uma única tecnologia para isso. Toda tecnologia que visa à industrialização e a sustentabilidade é bem-vinda. Acreditamos que a nossa tecnologia é excelente para casas, sobrados e prédios até quatro pavimentos. Os níveis de industrialização, de desempenho financeiro para quem usa esta tecnologia e sustentabilidade estão entre os mais altos”, afirma.

Bonatto explica que o desafio que a Tecverde assume, em um momento de crise no país, é usar esta oportunidade para inovação. “Com a nossa tecnologia, conseguimos melhorar radicalmente o desempenho das construtoras em realizar obras que em alvenaria dificilmente seriam viabilizadas”, opina.

Onde está a madeira?

Dentro de um cenário estimado de aumento do uso do sistema construtivo em madeira, surge o desafio de conseguir o fornecimento de insumo suficiente para atender as demandas. Bonatto conta que a Tecverde recebe apoio de todos os fornecedores, exceto os de madeira propriamente dita. “Percebemos que o fornecimento de madeira de qualidade se dá por oportunidade. Se o dólar está bom, as empresas exportam; se não está bom, temos alguma chance de conseguir produto de qualidade no Brasil”, revela.

“Para nós, isso é frustrante. O nosso projeto começou dentro de um grupo de madeireiras, que, com a crise nos Estados Unidos, precisava desenvolver o mercado interno. Depois de um tempo, a situação melhorou e se passa a esquecer do que existia no Brasil?”, questiona.

De acordo com ele, é necessário fazer com que fornecedores de madeira acreditem em projetos a longo prazo e que estejam dispostos a investir, a exemplo da Tecverde, na criação de mercado e de valor, para no futuro trabalhar com volume. “Nós não paramos de crescer desde que nascemos (Tecverde). Hoje, para nós, termos bons fornecedores de madeira para os volumes que acreditamos atingir nos próximos anos é decisivo. Chegamos ao ponto de pensar em verticalizar um pouco deste processo. Se não conseguirmos parceiros, podemos trazer o ‘processo madeira’ para dentro de ‘casa’. Talvez tenhamos que ser os nossos próprios fornecedores de madeira. Não queríamos chegar nisso, pois existem tantos players bons no Brasil”, indica.

Bonatto salienta a importância de toda a cadeia se unir para abrir mais espaços no mercado interno, pois há uma grande demanda. Ele lembra que a Tecverde está provando ser viável construir casas usando a madeira como o principal insumo.

 

Por Joyce Carvalho para Portal Madeira e Construção

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