Sinal de alerta para indústrias da madeira

8 de Março de 2016

Economista da CNI, Flávio Castelo Branco, afirma que é preciso afastar as incertezas para que o país volte a crescer 

“A incerteza é mãe da crise, do baixo investimento, do baixo consumo e, portanto, do baixo crescimento. Precisamos afastar as incertezas para voltar a crescer”. A fala é do economista da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Flávio Castelo Branco, que abriu na manhã desta terça-feira, 8, o encontro Wood Trade Brazil, realizado em Curitiba (PR).

A recessão brasileira, segundo Castelo Branco, vem desde meados de 2014, mas a indústria já vem enfrentando dificuldades há mais tempo. Para o economista, todo esse panorama ruim é resultado de equívocos de políticas econômicas do passado, já que o país insistiu no consumo e no uso excessivo de recursos fiscais. Além disso, a tentativa de segurar o câmbio para evitar a inflação levou à exaustão.

Em 2014, ele conta que o país iniciou a correção desses desequilíbrios, mas o processo avançou num ritmo menos intenso do que era necessário, travado pelo ambiente político deteriorado. Segundo o economista, causas conjunturais como incerteza política, inflação e ajuste fiscal/monetário, e causas estruturais como baixa produtividade, Custo Brasil e desequilíbrio fiscal de longo prazo, determinaram a dimensão da recessão.

Na primeira fase, o governo tentou fazer mudanças nas tarifas públicas, ajustes das contas públicas, racionalização dos subsídios, adequação da taxa de câmbio, reformulação dos benefícios sociais e política monetária contracionista, mas tudo isso acabou dando um choque de custo para o setor produtivo.

“A política mais adequada seria combinar um ajuste macroeconômico com a agenda da competitividade, mas os dois precisam de boa vontade política para ir à frente. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu 3,8% em 2015 e deve cair mais 3,1% em 2016. Isso é um desastre. Quase 10% de empobrecimento do país, e já não crescemos em 2014. É uma situação muito preocupante”, avaliou.

Sobre a indústria, o economista ressaltou que o setor contribuiu com menos de 20% do PIB brasileiro e que a indústria vem encolhendo ao longo dos anos desde 2010. Com relação aos empresários, Castelo Branco afirmou, com base em um levantamento do índice de confiança do empresário industrial feito pela CNI, que a grande maioria trabalha na incerteza e na falta de confiança, o que se reflete no investimento. “Sem investimento, o país cai de produtividade. E os investimentos vêm diminuindo pelo terceiro ano consecutivo”, garantiu.

Segundo o economista da CNI, as incertezas dificultam tomadas de decisão e adaptação ao novo ambiente. Muitos empresários estão em alerta por conta do receio de aumento da carga devido às mudanças tributárias, da pouca transparência na discussão das mudanças de tributos em ambiente de ajuste fiscal e da possibilidade de criação de novos tributos, como a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Setor madeireiro

O segmento de base florestal teve, de acordo com Castelo Branco, um desempenho mais favorável no começo da década, mas depois sofreu grandes dificuldades e acabou perdendo relativamente o desempenho. Em 2015, a indústria da madeira caiu 4,6% e o desempenho da produção foi negativo, assim como aconteceu em outros segmentos industriais.

“Quando olhamos os dados de faturamento, o setor teve, em 2015, um comportamento positivo, enquanto a indústria de modo geral teve queda. Em termos de emprego, toda aquela dificuldade da década passada se traduziu na redução do emprego, mas a queda na indústria de madeira foi menor que a diminuição de emprego na indústria de transformação”, reforçou.

Com relação às exportações, o economista salientou que apesar de a quantidade física ter crescido, o preço vem caindo. Isso quer dizer, de acordo com ele, que o mercado externo também não está tão favorável, mas o que vem compensando é a mudança cambial.

Para o futuro, Castelo Branco revela que a falta de confiança vai se manter intensa e disseminada ao longo 2016, e que a superação da crise será lenta. “Turbinar ou estimular o consumo interno está difícil, o governo não tem combustível para fazer isso. Precisamos alavancar as exportações. O que é preciso fazer, de modo geral, é atuar na competitividade e na produtividade”, completou.

O evento reúne industriais madeireiros, produtores florestais e profissionais ligados à cadeia produtiva da madeira e é promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e Malinovski Eventos e faz parte da Semana Internacional da Madeira.

 

Por Maureen Bertol com informações da Assessoria da Abimci

 

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