Sobre a cor Pantone para o ano de 2018

9 de Janeiro de 2018

O artigo de hoje é resultado das interpretações de uma empreendera e designer deiInteriores sobre o sentido da escolha dessa cor para 2018 e sobre o que isso tem a ver com nossa maneira de construir e morar

 

Muito já foi comentado e noticiado quando, em dezembro do ano que recém finalizou, a Pantone lançou a sua famosa cor para 2018. Chamada de Ultra Violet, a cor do ano de 2018 comunica originalidade, engenhosidade e pensamento visionário.

O presente ano tem como contexto um período após 3 ou 4 anos “intensos” (para dizer o mínimo) para qualquer ser humano sobre a face da Terra. Muitos irão concordar sobre o quanto esses últimos tempos têm nos tirado de nossa zona de conforto, têm chacoalhado nossas estruturas, têm nos provocado para o auto aprimoramento. Crises políticas e financeiras, crises dos recursos naturais, migrações volumosas de pessoas em busca de sobrevivência, melhores oportunidades, ou fugidas de locais acometidos por guerras. Tal cenário faz qualquer cultura sair de um estado que não é mais desejado em busca de um novo rumo para sua existência.

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Ao analisar a cor Ultra Violet, conclui-se que se trata de um roxo profundo. O lilás e o roxo representam com frequência a espiritualidade e a conexão com o universo ou algo além de nós mesmos. Aprofundando a reflexão, também se compreende que o roxo é resultado da soma do vermelho com azul, duas cores opostas.

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Por um lado, o vermelho, o qual representa paixão, energia, poder, guerra, perigo, violência. O vermelho é a cor do elemento fogo, da terra, do sangue e do coração humano. Por outro lado, o azul, que significa tranquilidade, serenidade, harmonia, mas também está associado à frieza, monotonia e depressão. Simboliza a água, o céu e o infinito.

Talvez essas duas cores sejam exatamente uma espécie de retrato do período que presenciamos, e sua soma, aquilo que precisamos construir.

Será que a raça humana está para finalmente compreender que não só de materialidade e ação (vermelho) é possível nos mantermos vivos? Será que foram experimentadas solidão, isolamento e falta de conexão (azul) suficientes para entender que ninguém é autossuficiente?

A cor do ano, apesar de enigmática, faz um convite a uma nova experiência evolutiva: a de olhar para dentro de si, fazer um mergulho muito profundo, talvez uma apneia emocional jamais experimentada antes. O mundo grita por soluções equilibradas, com menos acúmulo (azul), mas também sem tantos prejuízos (vermelho).

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O Ultra Violet representa o universo. Cada um carrega em si um universo e também aprendemos muito com o universo que cerca o planeta Terra. O universo remete ao infinito, compreende-se finalmente que os recursos da Terra não os são.

É possível o ser humano criar a partir de dentro de si, de sua intuição, de suas pesquisas, da sua entrega para o momento presente, soluções definitivas para reaproveitamento de todos os recursos e aplicar de fato a sustentabilidade à sua forma de viver?

Esse espírito global do tempo, conhecido como zeitgeist, não se trata mais somente de filosofia. As pessoas estão de fato conscientes deste contexto e passarão, cada uma a seu tempo, a comprar e consumir de acordo com essas reflexões. Essas escolhas de consumo atingirão todas as áreas e já podemos ver claramente os sinais apontando para tal.

Já nos preocupamos mais com os materiais de nossas roupas, já escolhemos com mais critério nossa alimentação, já avaliamos nosso transporte. Já é hora de revermos nossas maneiras de habitar.

Muitos gostariam de acreditar que os anos mais difíceis já fazem parte do passado, que 2018 será um ano mais “fácil”. A resposta sempre será relativa. Trata-se de entender que inevitavelmente nada acontecerá antes que olhemos com profundidade para nossas ações, para nossos comportamentos, para nossas empresas, para nossas maneiras de viver, para nossa maneira de consumir. O planeta precisa urgentemente de mudanças, e a cor do ano será só mais um lembrete que essas mudanças precisam de você para acontecer.

Desejo um bom e profundo ano a todos e, que ao final dele, tenhamos criado algo completamente novo e positivamente surpreendente.

Por Babi Stainsack, designer de interiores e fundadora da Mel e Limonada

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