Tendências, sustentabilidade e uso da madeira marcaram o painel “Olhar para o Futuro”

20 de setembro de 2018

Esta foi a abertura do 5º Simpósio Madeira e Construção promovido em Curitiba (PR, pela Associação Paranaense das Empresas de Base Florestal (Apre) e Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

O 5º Simpósio Madeira e Construção, promovido pela Associação Paranaense das Empresas de Base Florestal (Apre) em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), levou aos participantes a possibilidade de “Olhar para o Futuro”. Este foi justamente o nome de um dos painéis montados no evento, realizado no dia 19 de agosto em Curitiba (PR).

A analista de tendências Babi Satinsack mostrou como serão os espaços de morar e trabalhar, a partir das macrotendências em que todas as pessoas estão inseridas: coletividade, velocidade e sustentabilidade. “As tendências são conclusões do cenário atual e somente vão durar se forem baseadas na verdade”, afirmou. De acordo com ela, é essencial “dar um passo para trás” e ver a tendência macro para trabalhar dentro disto, e não apenas “surfando na onda”.

Babi Satinsack, analista de tendências

A especialista mostrou aos participantes as diferenças entre moda e tendência, fazendo a relação disso com o modo de consumir, inclusive na construção e na habitação. “Quem determina as tendências dos espações de habitação são as pessoas que nela vivem”, declarou Babi, deixando esta frase como uma reflexão para quem participou do 5º Simpósio Madeira e Construção.

A sustentabilidade é uma das macrotendências atuais e o engenheiro ambiental Julio Bernardo da Silva Junior mostrou as suas várias facetas em sua palestra “Sustentabilidade: uma rede de interesses”, dentro do Painel Olhar para o Futuro. Ele mostrou as visões de teóricos de várias correntes; de governos e empresários; e de cientistas sobre a sustentabilidade.

Silva Junior ainda comentou sobre o conceito da casa sustentável, que deve ser pensada como um todo, e não apenas no material que será usado em sua construção. A habitação baseada na sustentabilidade está conectada com a energia limpa e a gestão dos resíduos, por exemplo.

O engenheiro José Daniel Sato falou sobre o papel da edificação em madeira no contexto atual e salientou que esta já não é mais uma tendência, e sim uma realidade. Ele lembrou que a madeira já foi largamente usada nas construções e foi abandonada depois que apareceram outras tecnologias construtivas. “Surgiu, especialmente na habitação, a necessidade de rever os conceitos e veio a madeira. Esta é uma matéria-prima fantástica e amplamente disponível”, opina.

Sato acredita que, no passado, a madeira tenha sido abandonada pela falta de informação por parte da população. “Ainda faltam questões técnicas, conhecimento, um resgate cultural, equipamentos e envolver os jovens nisto. Não tenho nada contra os outros tipos de materiais, mas por que não a madeira? Existem rapidez e qualidade”, garante.

José Daniel Sato, engenheiro civil

Por isso, o engenheiro quis estimular os participantes do simpósio – muitos deles estudantes, para que comecem a prestar atenção efetivamente na madeira. Os novos profissionais, de acordo com ele, vão ajudar no desenvolvimento desta cadeia. “Os Estados Unidos, a Europa e o Canadá estão construindo em madeira com ótimos resultados. Por que essa diferença para cá? Nós temos capacidade de fazer por aqui de maneira excepcional. Se não mudarmos a forma de agir, não vai funcionar. É necessário alavancar todo este sistema. Ao mesmo tempo, já não temos volta. A construção em madeira é irreversível. E tem um detalhe: sendo feito o manejo de forma correta, não vai faltar madeira nunca”, avaliou.

Fonte: Joyce Carvalho para o Portal Madeira e Construção

Fotos: UTFPR e Gustavo Filus

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