Uso da madeira passa pela informação

23 de Maio de 2017

A madeira tem perdido espaço para outros materiais, muitos produzidos com ‘aspecto amadeirado’, na construção civil brasileira. Parte dessa ausência nos projetos desenvolvidos pelos escritórios de arquitetura está na pouca, ou total falta, de informação disponível para o mercado, conforme aponta a pesquisa ‘Especificação de Madeira nos Escritórios de Arquitetura, desenvolvida pelas entidades ligadas ao Programa Madeira é Legal, iniciativa do WWF-Brasil e outras 23 instituições signatárias, que tem como objetivo estimular o uso sustentável da madeira.

De acordo com os dados gerados a partir dos questionários respondidos pelos profissionais de 28 empresas com sede em São Paulo, 57% dos entrevistados apontam dificuldades para especificar madeira em seus projetos. 71% vão além e afirmam que não há todas as informações técnicas e de mercado para especificar a madeira. A lista é extensa; falta de manuais e/ou listagens e/ou sites, sessões técnicas no ambiente de trabalho para o suporte aos aspectos como uso, durabilidade, trabalhabilidade, aplicações recomendadas, detalhes de referência e tratamentos específico.gráfico artigo WWF_uso da madeira

Graficos_artigo WWF_madeira e construção

Porém, o dado que mais preocupa é o fato de 61% dos entrevistados assumirem resistência ao uso da madeira em função dos custos comparando com outros sistemas estruturais, como alvenaria e ferro ou de acabamento, como porcelanatos, alumínios, vinílicos e aqueles que possuem ‘aspecto amadeirado’. Segundo os profissionais, o custo-benefício destes materiais citados é melhor que a madeira propriamente dita.

Os dados gerados pela pesquisa são fundamentais sob dois aspectos para o setor madeireiro. O primeiro é ter a consciência da situação, que, infelizmente, não é confortável. Diante dos fatos, é preciso assumir as deficiências na divulgação de informações em relação à madeira. Muitos entrevistados afirmaram “pouca clareza na forma como as informações sobre a madeira são veiculadas, com destaque para a disponibilidade, custos e procedência”.

O segundo aspecto é, de forma organizada e coletiva, reverter o cenário e, somente assim, ampliar de forma considerável o uso de madeira nas construções, papel que o Programa Madeira é Legal tem desempenhado nos últimos oito anos. O primeiro passo é padronizar as informações, para eliminar dúvidas e inseguranças por parte dos arquitetos e engenheiros, nosso público inicial e, de certa forma, nos agentes de negócios. Para isso, o Programa tem criado espaços de intercâmbio e discussão como forma de troca de experiências, tecnologia e debates sobre o tema, por meio da participação em feiras, promoção de palestras, geração de conteúdo, edição de publicações, entre outas ações.

Outro mecanismo, bastante usado em outros setores da economia brasileira, é divulgar a experiência dos projetos mais qualificados no Brasil e no exterior. Exemplos concretos, sem qualquer trocadilho, colaboram para a mudança da cultura construtiva, por parte de consultores, passando pelos fornecedores dessa cadeia até chegar no consumidor final.

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O aspecto ecológico também não pode ser esquecido. Parte dessa mudança cultural pode ocorrer a partir do apelo sustentável da madeira. As questões legais e ambientais da produção e comercialização da madeira devem ser amplamente divulgadas, assim como o fato de sistemas construtivos em madeira gerarem menos resíduos e fixarem gás carbônico.

O que era suspeita, agora é fato. A informação é fundamental para a tomada de decisão dos profissionais dos escritórios de arquitetura. Uma cadeia produtiva organizada, que utiliza tecnologia de ponta, a única matéria-prima 100% renovável da construção, com produtos de qualidade e custo compatíveis não pode ficar à sombra de uma eventual desinformação generalizada.

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Ricardo Russo, analista de Conservação do WWF-Brasil para o Portal Madeira e Construção

 

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