Uso da madeira sustentável, redução do desmatamento e recuperação de áreas florestais passam por ações da iniciativa privada

21 de Janeiro de 2019

Ideia é defendida pela Amata, empresa de base florestal que possui concessão florestal pública em Rondônia e está investindo no setor da construção com madeira; empresa quer estimular o debate sobre o tema

A valorização da floresta em pé é o caminho para a sustentabilidade da mesma. Quem mora em uma região como esta, se não enxerga seu valor, não consegue aproveitar seu potencial e tende a retirá-la sem qualquer tipo de manejo, contribuindo para o desmatamento ilegal. Esta é a visão da Amata, empresa de base florestal que está no mercado há 10 anos e que quer aproveitar o atual momento do País para estimular o debate em torno da importância da iniciativa privada neste contexto, ainda mais com os compromissos assumidos pelo Brasil, como no caso do Acordo de Paris, para restaurar 12 milhões de hectares de árvores até 2030.

No entendimento da Amata, a iniciativa privada pode contribuir com a redução do desmatamento ilegal, a recuperação de áreas florestais e o uso da madeira sustentável, por meio da valorização da floresta. Isso pode acontecer, por exemplo, por meio de parcerias com o próprio poder público, como no caso das concessões florestais públicas.

Manejo na Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia (Foto: Amata Brasil)

A Amata foi a primeira empresa a conseguir uma concessão deste porte no País, na Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia. A gestão, de 40 anos, abrange 46 mil hectares do total de 230 mil hectares da Floresta Nacional. O manejo acontece há nove anos, segundo Patrick Reydams, Gerente de Operações da Amata.

“Fazemos a seleção de árvores que serão colhidas, mantendo ao mesmo tempo a floresta. São gerados 73 empregos diretos e recursos de R$ 10 milhões ao ano para a economia local, além dos empregos indiretos. Além disso, são realizados projetos sociais na região para garantir receitas complementares, envolvendo a castanha e o açaí, por exemplo. É uma escala pequena de manejo, mas que movimenta bem a economia local”, sinaliza.

(Foto: Amata Brasil)

A madeira retirada no manejo na Rondônia – certificada pelo FSC (Forest Stewardship Council) – é vendida principalmente para a Europa. “O manejo florestal bem conduzido é caro e isso reflete no custo da madeira. Não é possível competir no mercado interno, onde há madeira explorada de forma ilegal. Por isso, a madeira acaba sendo vendida para a Europa, para países como Holanda, Bélgica, França, Alemanha e Dinamarca, que valorizam a madeira explorada de forma sustentável”, afirma Reydams.

São retirados cinco mil metros cúbicos de madeira por ano da área de manejo dentro da Floresta Nacional do Jamari. “São exploradas 24 espécies de madeira tropical. No inventário feito sobre a região, identificamos 67 espécies com potencial comercial, mas são exploradas 24. Nosso objetivo é, ano a ano, ampliar esta quantidade. Existem espécies com potencial, mas que o mercado não conhece. Elas ajudariam a tirar a pressão sobre outras”, ressalta o diretor de Operações da Amata.

(Foto: Amata Brasil)

De acordo com ele, existem outras tantas florestas nacionais, cujas manutenções custam caro para serem preservadas. Com a colaboração da iniciativa privada em parceria com a comunidade, o manejo leva todos os elementos para que a floresta permaneça em pé e seja preservada. “O programa de concessões florestais públicas começou há 10 anos e hoje existem entre 500 mil hectares a um milhão de hectares concedidos, quando a expectativa era chegar aos três milhões de hectares. Seria muito importante se o governo andasse com esta iniciativa, se as concessões continuassem evoluindo”, avalia.

Mudanças

Levar mais empresas para esta mesma filosofia depende de mudança de cultura, ainda mais quando se trata de exploração ilegal de madeira. Para Reydams, isso passa basicamente por três pilares. Um deles está relacionado com o trabalho das próprias empresas e a busca por aquelas que atuam de forma legal, divulgando cada vez mais aquelas que são diferenciadas e geram benefícios para a cadeia a região onde estão.

Também é importante o apoio do governo, especialmente na fiscalização. “Os órgãos ambientais já realizam uma intensa fiscalização, mas existem limites no combate à ilegalidade. É necessário apoio do governo para mais”, comenta Reydams.

O consumidor é o terceiro pilar desta mudança. “Não apenas o consumidor final, mas também as empresas da cadeia, como os intermediários e os beneficiadores. Eles têm um papel muito importante para o consumo da madeira legal. Eles entendem de documentação e de manejo”, opina,

Recuperação e investimentos

A Amata também trabalha na recuperação de áreas degradadas por meio de plantio de espécies nativas – especialmente o paricá – no Pará, mais precisamente na região de Paragominas, um conhecido polo de produção de compensados e chapas. A ação teve início entre 2009 e 2010. Nesta mesma região, acontece o plantio comercial, que gera madeira certificada pelo FSC, movimentando a economia local.

Área recuperada no Pará (Foto: Amata Brasil)

Dentro do contexto do melhor uso da madeira, a empresa também está investindo no setor de construção, com o projeto do Edifício Amata, em São Paulo. A empresa vai construir em São Paulo um prédio com estrutura de madeira engenheirada, tecnologia já amplamente utilizada em países como Canadá, Estados Unidos, Austrália, Inglaterra e outros na Europa.

Segundo Reydams, os edifícios construídos com concreto e aço liberam carbono, enquanto os de madeira tem um saldo negativo nesta equação por armazenarem carbono, contribuindo assim para a sustentabilidade. “Além de ajudar neste balanço do carbono, são construções mais leves e econômicas”, enfatiza.

Projeto do Edifício Amata (Foto: Divulgação)

As estruturas de madeira para o Edifício Amata, como a madeira laminada cruzada (CLT), serão importadas da Europa. No entanto, a empresa pretende investir brevemente na fabricação de madeira engenheirada no Brasil, utilizando a madeira de pinus de floresta plantada. A matéria-prima para isso sairia das áreas que a Amata mantém no Paraná.

Por Joyce Carvalho para o Portal Madeira e Construção

 

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