ONU discute papel do setor privado na urbanização

29 de agosto de 2016

Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos reuniu especialistas em Curitiba (PR) para debater como as empresas podem contribuir para melhorar as condições de vida em centros urbanos

Na segunda-feira (29), o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT) reuniu em Curitiba, com o apoio do Sistema Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e Unitar (Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa), especialistas e gestores para debater o papel de empresas na execução da Nova Agenda Urbana e na busca pelo desenvolvimento sustentável.

Uma das mega tendências apontadas durante o debate mostra que até 2050, 70% das pessoas estarão vivendo em cidades. Os dados apresentados pelo gerente de sustentabilidade da Siemens no Brasil, Henrique Paiva, mostram que as cidades são responsáveis por 70% das emissões de CO² e dois terços do consumo de energia. “Será preciso pensar na evolução da construção de prédios. Queremos ver edifício com consumo de energia inteligente, armazenamentos de energia. Eventualmente uma política pública que reduza, por exemplo, o IPTU para quem usar padrões que reduzam o consumo de energia. As soluções existem, basta criar formas para que sejam implementadas. É importante que a sociedade faça essa discussão de forma ampla”, afirmou.

Para o superintendente do Sesi/IEL e diretor do Senai no Paraná, José Antonio Fares, o Sistema Fiep tem desenvolvido diversas ações que visam o desenvolvimento de gestores, programas para desenvolvimento sustentável, além das alianças com a ONU Mulheres e as premissas do Pacto Global. “Estamos atentos ao tema. Esta prévia que antecede o evento de Quito foi uma possibilidade para análise, para entender como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável podem ser inseridos no planejamento da área pública, com participação do setor privado’, afirmou.

Segundo a representante da 3ª Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável (Habitat-III) e arquiteta, Marja Edelman, o evento na capital paranaense teve como enfoque, a partir de uma perspectiva regional, a discussão sobre como o setor privado e as alianças público-privadas podem contribuir para a implementação efetiva dos (novos) compromissos assumidos pelos Estados-membros.

Parcerias público privadas

Na avaliação do presidente do IPPUC (Instituto de Pesquisa Planejamento Urbano de Curitiba), Sérgio Pires, será preciso “criar uma agenda mais positiva de forma coletiva, de acordo com os projetos”. Para o especialista, que também é arquiteto e urbanista, Curitiba tem algumas oportunidades pela frente quando o assunto é uma cidade mais sustentável. Entre elas estariam questões como a discussão do Plano diretor e da lei de zoneamento e uso do solo, que devem ser apresentados para votação ainda este ano; a conclusão da Linha verde; os projetos de car e bike sharing; os novos eixos verdes de transporte e da biodiversidade; as chamadas “gentilezas urbanas”, que são as intervenções do cidadão em pequenos espaços públicos; a eletromobilidade e a instalação do metrô e do parque linear com implantação de áreas verdes.

Nova agenda

A Nova Agenda Urbana deve ser adotada durante a Habitat-III, encontro global que acontece de 17 a 20 de outubro, em Quito, no Equador. A iniciativa em Curitiba foi uma das atividades que o ONU-HABITAT tem realizado em diversos países da América Latina para organizar pautas e demandas a serem debatidas na conferência.

A terceira conferência das Nações Unidas sobre moradia e desenvolvimento urbano sustentável terá como objetivo revigorar o compromisso global de urbanização sustentável, focada na implementação de uma nova agenda urbana, com base na agenda habitat de Istambul de 1996.

“Na conferência de Quito será avaliado o que já foi alcançado e traçados novos rumos para os próximos 20 anos. O documento será focado em ações e implementação de uma nova agenda urbana. A batalha para o desenvolvimento sustentável será vencida ou perdida nas cidades”, explicou Marja.

Para saber mais sobre o evento no Equador, acesse: www.habitat3.org/

Por Juliane Ferreira para o Portal Madeira e Construção

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