Uma Olimpíada sustentável

12 de agosto de 2016

Madeira certificada foi uma das exigências do comitê organizar da Rio 2016 para estimular a responsabilidade ambiental

Há uma semana todos os olhos do mundo estavam voltados para o Brasil, por conta do início das Olimpíadas do Rio de Janeiro. Passados sete dias, muito ainda se fala da cerimônia de abertura, que trouxe à pauta um tema fundamental para o futuro: a sustentabilidade. A proposta da organização do evento foi inspirar mudanças e estimular a responsabilidade ambiental e social. Para promover o tema, diversos projetos de sustentabilidade foram pensados e uma das premissas adotada pelo comitê organizador foi contratar apenas fornecedores com certificação da cadeia de custódia da madeira. O objetivo dessa exigência foi assegurar o manejo sustentável e também a sustentabilidade em todo o processo produtivo, desde a extração da madeira, passando pela transformação em produto e chegando até o consumidor final.

Para justificar essa escolha, o comitê organizador publicou no site que a madeira não certificada emite 204 kg de CO² por metro cúbico, enquanto que a madeira certificada emite 14kg de CO² por metro cúbico. Na Vila Olímpica, foram instaladas 80 mil camas e 40 mil armários. Além disso, foram montados 485 pódios para os medalhistas, tudo produzido com madeira certificada. Para garantir essa certificação, o comitê trabalhou em parceria com o Forest Stewardship Council (FSC), que emite o selo aos produtos de origem florestal.

Com relação à sustentabilidade, na cerimônia de abertura o foco dos idealizadores do evento foi enaltecer a natureza.

Parque dos Atletas

Parque dos Atletas

Na primeira parte, o grupo mostrou a formação do mundo, chegando à floresta. Outro destaque com relação à sustentabilidade foi no desfile dos atletas. Cada esportista que desfilou plantou uma semente ao concluir sua passagem, e todas as mudas de árvores serão colocadas no Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca (RJ).

Mais madeira

Se o foco dos Jogos Olímpicos no Rio foi a sustentabilidade, a madeira não poderia ficar de fora. No Velódromo Olímpico, por exemplo, ela é protagonista. A pista, de 250 metros, foi construída com pinho siberiano e será a mais moderna do Brasil para a modalidade, além de ser a única em madeira e coberta do país. O desenho e a montagem ficaram por conta do especialista alemão Ralph Schürmann e sua equipe, que já fizeram sete pistas de Velódromos Olímpicos e 22 de mundiais.

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A madeira que serviu para a construção da pista é proveniente de árvores de crescimento lento e, por isso, é macia e com pouca dilatação, própria para países tropicais como o Brasil por ser menos suscetível à umidade e ao calor, o que aumenta a durabilidade e firmeza da pista. Além disso, as fibras longas e retas do pinho siberiano potencializam o desenvolvimento de uma maior velocidade do ciclista, porque diminui o número de emendas da pista. Como ela é mais flexível e, ao mesmo tempo, bastante resistente, é fácil realizar a montagem e fazer a adequação nas curvas.

Tanto as tesouras de madeira, que servem para apoio estrutural, quanto as placas de pinho siberiano vieram da Alemanha já niveladas e numeradas, prontas para serem montadas. A montagem, que é milimétrica, utilizou 55 quilômetros de madeira, aproximadamente 94 treliças de sustentação da superfície e mais de 1.200 quilos de pregos para a instalação. Com o fim dos Jogos Olímpicos, o velódromo vai compor o Centro Olímpico de Treinamento e terá múltipla utilização, possibilitando, assim, o aproveitamento integral dos espaços.

 

Por Maureen Bertol para o Portal Madeira e Construção
Fotos Site oficial Rio 2016

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